É tão mais fácil “jogar limpo”, utilizar mecanismos como a sinceridade, a honestidade, a hombridade, mesmo ciente das possíveis consequências, porque também a mentira, a falsidade, o ato de enganar têm suas consequências, particularmente terríveis, destruidoras, dolorosas.
Machucada. Ferida. Magoada. Decepcionada. Estava quieta. Nem era com você que trocava olhares. Mas fez o que outro demorava a fazer: agiu, chegou, falou olhando nos olhos e conseguiu.
Tudo ia bem – era o que parecia –, os encontros, as conversas, as mensagens faziam um bem danado, ainda que com prazo de validade determinado, porém desconhecido.
De repente, algo mudou. Alguma coisa pairava no ar e a tensão começou a fazer-se presente até que a verdade foi revelada. Talvez informações tenham sido omitidas e outras sejam também mentirosas, entretanto a revelação arrasadora ocorreu.
E aí surgem construções que não podem ser analisadas como argumentos de defesa simplesmente porque não há como se defender, justificar-se. Um ou dois degraus que foram subidos em três causaram um tombo que deixou mais cicatrizes. A mesma história regada por mendacidade, apenas com um personagem díspar.
Não passou de ilusão, perda de tempo, ludibrio. E novamente surgem as indagações sem respostas. E de novo é preciso aceitar ficar quase sem resposta. E mais uma vez tem de se seguir em frente, encerrar o capítulo e virar a página.
É lamentável. É triste. Mas ainda acontece. Agimos falsamente para conseguir o que ou quem desejamos, no entanto esquecemos que não é possível sustentar a máscara por um longo período de tempo.
É espantosa a força da mentira. Trata-se de algo intenso demais, capaz de provocar danos difíceis de serem reparados. Causa lágrimas de dor, mágoa, trauma, desesperança, desassossego, insônia.
26/01/13.