Que dia ruim, meu Deus! Quanta tristeza, frustração, medo... Principais motivos: o ser humano, o lugar onde estudo. Rezei, chorei, implorei socorro, chorei mais um pouco, lavei o rosto, respirei e voltei pra “aula”.
Está difícil, muito mais que minha imaginação um dia pensou... Tento não contaminar os colegas da turma, não penso que seja justo, não enxergo como uma atitude positiva, enriquecedora. No entanto, quando eles tocam no assunto, dão-me brecha. E aí fica mais difícil controlar-me e conter meu desabafo.
Também não quero conversar com os únicos amigos que a universidade me deu até o momento. Também eles estão tristes por razões semelhantes e outras díspares, mas que também me afetam e me entristecem.
Olho para a maior parte dos professores que tive e tenho, fecho os olhos, e peço a Deus com toda força que tenha misericórdia de mim e me livre de qualquer chance de ser como eles. Fico apavorada só de pensar na possibilidade de um dia algum aluno meu sentir por mim o que sinto por esses professores.
Não quero perder o que de mais humano possuo: respeito ao outro. Não quero que meus alunos pensem que o que mais importa são o meu sobrenome, minha titulação (que provavelmente não passará de graduada) e meu currículo lattes (que certamente não terá tantas páginas). Desejo que eles convivam comigo, que se sintam à vontade para aproximarem-se de mim, que sintam que podem me olhar nos olhos. E que percebam que o mais relevante é lutar por nossas conquistas com humildade e sem pisar em ninguém, sem desprezar o que é importante para o outro. Que eles sintam prazer em estudar, que eles se sintam bem nas minhas aulas, que não seja um sacrifício prestar atenção na minha fala.
Está cada vez mais difícil acordar cedo para ir à faculdade e permanecer lá. Claro que seria muito pior sem os colegas e raros professores que só me causam boas sensações e alimentam meus sonhos. Entretanto, o lado ruim é tão intenso, bruto, duradouro...
“Faço das tripas o coração” para dar força à minha amiga, para que ela não perca a esperança de dias melhores, para que ela não desista da graduação justo agora na reta final. E é muito difícil pra mim porque também estou sofrendo, também sinto cada vez mais vontade de desistir, ainda que tanta coisa importante e tantas pessoas significativas estejam envolvidas.
Não basta a angústia de ter de trabalhar, de depender do meu salário, de ter muitos textos para ler sem tempo hábil, de querer ser muito mais participativa na universidade – grupos de pesquisas, programas, monitorias, etc. – e não poder, de ter de administrar: ser mãe solteira, trabalho e estudos intensos, de querer fazer outros cursos e não ter como. Além de tudo isso, ainda tenho de conviver com a falsidade, a irresponsabilidade, o deboche, o descaso, odescompromisso, a soberba, a hipocrisia, a mentira, a injustiça, o egoísmo e a desonestidade de professores e alunos diariamente.
Como dói, Jesus!... O Senhor presenciou minha reação ao ver meu nome na lista de convocados para realizar a matrícula. O Senhor sabe como sonhei que seria esta graduação. O Senhor viu como eu me senti nos dois primeiros períodos. E agora, na metade do curso, meu coração se aperta, se aflige, angustiado por ter de suportar até 2015. Estou sendo pessimista, muito negativa, entregando os pontos? Perdoe-me, mas não gosto de fingir.
Tenho ciência de que nem tudo é como desejamos, sonhamos, mas precisava ser tão negativamente diferente assim de tudo que eu quis?
Se não fosse minha fé já teria jogado a toalha. É demasiadamente ruim permanecer num ambiente que não lhe proporciona felicidade...
Fico imaginando se os colegas também enxergam e sentem como eu vejo e sinto...
E está piorando, cada período mais pesado que o anterior...
Só Deus para nos ajudar, nos fortalecer, nos proteger de qualquer contaminação.
Que Nossa Senhora nos acolha, nos acaricie e fique conosco a todo instante desta dura e infeliz caminhada!
Que Jesus Cristo aumente a nossa fé e renove a nossa esperança!
Amém. Amém. Amém. Amém.
Adendo: precisamos acreditar que dias melhores virão...
02/08/13.