Não sei o que você tem a me oferecer, a me
proporcionar viver e sentir. Não sei o que você sente e quer, além da cama. Não
sei seus sonhos e objetivos, seus medos e esperanças. Não sei se há espaço para
mim na sua vida. E já não sei qual é o seu lugar na minha vida. Não sei se o
culpado de tantas dúvidas é o tempo ou a nossa covardia.
Você chegou de repente. Ok. Eu disse que isso
aconteceria e sabia que realmente aconteceria, mas ainda assim a surpresa foi/é
inevitável. E pensei que eu soubesse exatamente o quê fazer quando isso se
consumasse, mas não sei. Não sei mesmo. Tinha certeza do que eu deveria dizer e
do que eu sentiria quando você me procurasse, mas não foi assim. Não é de
propósito. Creia.
Você (re) apareceu num momento em que uma verdadeira
avalanche toma conta da minha vida. É o que já mencionei aqui nesse blogue
algumas vezes: filho, família, amigos, saúde, faculdade, trabalho. Muita gente
e coissa para eu dar conta sozinha. E tem hora que dá pane. Eu falho. E então
entendo por que Deus não me permite incluir um namorado, noivo ou marido no
meio de tudo isso: eu certamente não daria conta, não seria completa, não daria
tudo que sempre achei relevante dar e receber numa relação amorosa de um homem
e uma mulher. Estes que por tantas vezes desejei que fôssemos você e eu.
O fato se deu na sua vida no período em que
tenho pensado em outro, desejado outro. Por isso a confusão se instalou em mim,
por isso permaneci no campo do riso quando você veio me procurar. Porque eu
verdadeiramente não sabia o que fazer, pensar, sentir.
Sempre falei de amor ao me referir a você,
mesmo nos momentos de intensa dor por sua causa, era de amor que eu falava. E
agora me pego assim: em dúvida, com medo, imóvel. A oportunidade que esperei
por dezessete anos bateu à minha porta e eu não me joguei, não me atirei, como
certamente teria feito há alguns meses, não muitos.
Não quero deixá-lo esperando por esperar e
nem dar-lhe falsas esperanças. Vingança não combina comigo, não tem valor para
mim. No entanto, confesso que não quero me precipitar. Não dá mais para sofrer
por causa da gente. Tem de haver um limite. Só que não consigo me desligar dos
aspectos negativos, que são inúmeros, que são fortíssimos. Como descobrir se
valerá a pena arriscar-me de novo? Agora não estou só. Tudo que acontece comigo
atinge o meu filho direta ou indiretamente. Não quero que ele corra riscos
devido às minhas escolhas. Não admitirei ou suportarei ser causadora de
sofrimento para ele.
Tenho pensado, tenho rezado, tenho chorado e,
por enquanto, não consegui agir. Simplesmente porque não sei como agir.
Será que chegou a nossa hora? Será que agora
é a minha vez? Pergunto-me diariamente.
Não terminarei dizendo que a minha única
certeza é de que o amo haja vista o fato de eu não estar segura de que esse
amor ainda é capaz de tudo suportar, superar, esperar, perdoar, alcançar...
Concluirei dizendo que continuo querendo o
seu bem e o seu sucesso ainda que não sejam ao meu lado.
"... agora que eu penso em ir embora você me sorri..."