sexta-feira, 18 de abril de 2014

CHEGOU A HORA?

Agora você está mais perto, bem mais perto. Parece que de agora em diante não estará mais com ela. Agora está disponível para (re) viver cenas que até então parecia não poder ou querer. Agora está com tempo livre, mais livre do que eu gostaria. Agora veio até a mim, como esperei durante todos esses anos. Mas agora já não sei se isso é bom para a minha vida. Já não sei o que fazer nesta hora.

Não sei o que você tem a me oferecer, a me proporcionar viver e sentir. Não sei o que você sente e quer, além da cama. Não sei seus sonhos e objetivos, seus medos e esperanças. Não sei se há espaço para mim na sua vida. E já não sei qual é o seu lugar na minha vida. Não sei se o culpado de tantas dúvidas é o tempo ou a nossa covardia.

Você chegou de repente. Ok. Eu disse que isso aconteceria e sabia que realmente aconteceria, mas ainda assim a surpresa foi/é inevitável. E pensei que eu soubesse exatamente o quê fazer quando isso se consumasse, mas não sei. Não sei mesmo. Tinha certeza do que eu deveria dizer e do que eu sentiria quando você me procurasse, mas não foi assim. Não é de propósito. Creia. 

Você (re) apareceu num momento em que uma verdadeira avalanche toma conta da minha vida. É o que já mencionei aqui nesse blogue algumas vezes: filho, família, amigos, saúde, faculdade, trabalho. Muita gente e coissa para eu dar conta sozinha. E tem hora que dá pane. Eu falho. E então entendo por que Deus não me permite incluir um namorado, noivo ou marido no meio de tudo isso: eu certamente não daria conta, não seria completa, não daria tudo que sempre achei relevante dar e receber numa relação amorosa de um homem e uma mulher. Estes que por tantas vezes desejei que fôssemos você e eu.  

O fato se deu na sua vida no período em que tenho pensado em outro, desejado outro. Por isso a confusão se instalou em mim, por isso permaneci no campo do riso quando você veio me procurar. Porque eu verdadeiramente não sabia o que fazer, pensar, sentir. 

Sempre falei de amor ao me referir a você, mesmo nos momentos de intensa dor por sua causa, era de amor que eu falava. E agora me pego assim: em dúvida, com medo, imóvel. A oportunidade que esperei por dezessete anos bateu à minha porta e eu não me joguei, não me atirei, como certamente teria feito há alguns meses, não muitos.

Não quero deixá-lo esperando por esperar e nem dar-lhe falsas esperanças. Vingança não combina comigo, não tem valor para mim. No entanto, confesso que não quero me precipitar. Não dá mais para sofrer por causa da gente. Tem de haver um limite. Só que não consigo me desligar dos aspectos negativos, que são inúmeros, que são fortíssimos. Como descobrir se valerá a pena arriscar-me de novo? Agora não estou só. Tudo que acontece comigo atinge o meu filho direta ou indiretamente. Não quero que ele corra riscos devido às minhas escolhas. Não admitirei ou suportarei ser causadora de sofrimento para ele.

Tenho pensado, tenho rezado, tenho chorado e, por enquanto, não consegui agir. Simplesmente porque não sei como agir. 

Será que chegou a nossa hora? Será que agora é a minha vez? Pergunto-me diariamente.

Não terminarei dizendo que a minha única certeza é de que o amo haja vista o fato de eu não estar segura de que esse amor ainda é capaz de tudo suportar, superar, esperar, perdoar, alcançar...

Concluirei dizendo que continuo querendo o seu bem e o seu sucesso ainda que não sejam ao meu lado.
 

"... agora que eu penso em ir embora você me sorri..."