Sozinha. Somente eu, ursos de pelúcia, livros e Deus no meu quarto. Ou melhor, no quarto que é meu e do meu filho. Para variar só, com as únicas coisas que afirmo com veridicidade ter posse: meus pensamentos.
Estava conversando com Maria – a Mãe de Jesus. Pedi-lhe para ser parecida com Ela em tudo que for concernente à maternidade. Supliquei que rogasse a Deus pelo futuro do meu filho. Falei-lhe que sua obediência e paciência são o que admiro mais. Ela me disse que foi agraciada por Deus que lhe concedeu abundantes amor e sabedoria para educar Jesus.
Em seguida me dirigi a Deus. Utilizei o momento para verbalizar tudo que está dentro de mim. Ele disse que já estava ciente, pois tudo sabe. No entanto, insistiu para que eu continuasse expondo de forma oral meus sentimentos, afirmou que agir assim é primordial no relacionamento com Ele e com Seu Filho – Jesus Cristo -; disse que temos de ser verbosos.
Aproveitei minha fama de loquaz e apresentei minhas angústias, meus medos, meus sonhos, minhas aflições, minhas misérias e fraquezas.
Repeti a mesma atitude da adolescência como se Deus sofresse de amnésia. Novamente lhe disse que não quero mais ser especial, não quero mais esta descomunal disparidade ao lado de tantas outras pessoas.
Fiz também alusão ao meu arraigado desejo da existência de um número bem mais elevado de pessoas que assim como eu não querem banalizar o amor, o respeito, a lealdade, a amizade, a gentileza, a educação e a sensibilidade. E implorei para afastar de mim esta gente ardilosa.
Inesperadamente alguém bate à porta. Abri e não vi ninguém. Então a fechei e pela segunda vez bateram. Perguntei quem era e ninguém respondeu. Bateram a terceira vez e diante da insistência me levantei e ao abrir deparei-me com Jesus. Ele carregava um embrulho.
Minhas pernas tremiam. Virei-me para Deus com lágrimas aos olhos e perguntei por que Ele me enviara Seu Filho e o que era o embrulho. Jesus tocou meu ombro direito e disse:
- Eu vim para dizer-lhe que o tempo de vocês é diferente do tempo de meu Pai e a justiça dEle está acima da justiça humana. E trouxe-lhe o presente que seu coração almejou por todos estes anos: o amor. Aquele amor sublime, real, generoso, desinteressado e vencedor que você acreditou que existia e que alguns amigos seus têm a graça de experimentar.
Chorei, como chorei. As palavras, todas elas, enguiçaram na garganta. Quanta beleza naquele divino momento! Quanta luz! Meu coração ficou sossegado como jamais ficara. A alma foi surpreendida por uma “paz inquieta”.
Não há o que refutar, foi a melhor visita que recebi em vinte e cinco anos de nascimento.
Amém! Que haja sempre contatos entre você e o Senhor!
ResponderExcluirTomara mesmo, Fernando! Às vezes bate algo ruim, uma tristeza violenta, e se não é O Senhor para socorrer-me, não sei de onde teria força para continuar caminhando.
ResponderExcluirVocê sempre aqui. Obrigada, meu querido!