sábado, 20 de outubro de 2012

NO CAMINHO DE VOLTA

Era de Nova Iguaçu que ela voltava.
Terra quente, com elevado número de habitadores.
Da universidade – localizada neste lugar que muitos chamam de “fim do mundo” – ela saía para retornar a casa.

Ao caminhar para o ponto final das vans – seus principais meios de locomoção -, ocorria uma intensa guerra.
Sim. Um confronto dentro do seu cérebro.
Lutava para prestar atenção nos assuntos
dialgogados com sua colega de turma
contra os pensamentos todos voltados para você.

Mas que merda! – queixava-se ela.
Não quero me lembrar de nós! – dizia para si.
Por que o tempo passa
mas não acaba de vez com isso? – indagava.
O combate prosseguia e sua colega nada notava.

O lugar de destino chegou, elas se separaram
E então não teve outro jeito:
Os pensamentos vencerão a batalha.
É. Você foi – mais uma vez – vitorioso.

Ao longo de todo caminho voltando a Bento Ribeiro,
naqueles 45 minutos você imperou
com invejável exclusividade.

Daí ela começou a entregar os pontos – finais, continuativos,
De exclamação e também os de interrogação – e percebeu que,
Dificilmente, conseguirá não sentir, recordar, sofrer.

Foi no caminho de volta
que ela fechou os olhos por alguns segundos
e fez um pedido a Deus: - Que o Senhor conceda-me a força necessária
Para conviver com todo esse sentimento dentro de mim; um sentimento que é só meu.

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