Hoje seria mais comum, apropriado, esperado ou algo desse tipo falar de Zumbi do Palmares, da Consciência Negra. No entanto, é você que toma conta de tudo em mim. É de você que não me esqueço. São as lembranças que permanecem ativas aqui dentro. Nesse apartamento. Nesse quarto. No meu coração.
Mais um 20 de novembro que não estou aí; que você não está aqui. Novamente separados, distantes, perdidos um do outro. Sem notícias, sem expectativas, sem esperança, sem chance. Outra vez o que é ruim me invade: tristeza, dor, raiva, vontade de matar o que sinto, saudade, hipóteses, desejo. Até o que é bom transforma-se no que me faz mal quando olho para o lado e não o vejo.
Pego-me pensando no quanto você é covarde e egoísta e percebo que também sou. Fui covarde quando não agi de maneira concreta – se é que era realmente necessário depois de tudo. Fui, ou melhor, sou egoísta porque o queria presente, perto, se possível, colado a mim. Queria que você tivesse escolhido a mim, a minha família, a minha vida e não a dela.
Falo de raiva em meio a tão grande amor porque já não aguento tantos anos de dor, de lágrimas, de migalhas. Sim. Você me ofereceu sobras. Eu te dei o mais puro e sincero de mim. E por mais que não acreditem, eu só o queria o mínimo de respeito de volta. Mas, preferiu outro caminho. Pegou o primeiro desvio que o levava para longe de mim; do meu amor, do meu carinho, do meu cuidado.
Nem a minha amizade você quis. Será que sabe o que é amizade? Já teve isso com alguém? Pensei que eu era sua amiga, não só por ter enxugado centenas de lágrimas suas, ter atendido seus telefones na madrugada, respondido suas mensagens, ter mentido inúmeras vezes para encontrá-lo, aplaudido suas pequenas e grandes conquistas, mas porque eu demonstrava minha preocupação com seu bem-estar, meu zelo por você e por tudo que lhe dizia respeito.
Acreditei nos comentários que fazia acerca das minhas cartas para você. Entretanto, NUNCA pude desejar-lhe um feliz aniversário no dia 20 de novembro. NUNCA pude presenteá-lo com um abraço, um cartão e um blusão que você tanto gosta. Nunca pude cantar parabéns para você. De novo, dessa vez no ano de 2012, não estamos juntos, comemorando mais um ano seu de vida. Caminhos contrários. Estradas que não se cruzarão.
Que Deus me abençoe e acalme meu coração; que essa respiração ofegante se encerre; que as lágrimas parem de rolar para não danificar meu computador. Que Jesus o abençoe, guarde sua vida de todo mal, conceda-lhe um dia de alegria ao lado da família e de quem você escolheu para ser sua mulher. Que Maria me pegue no colo e interceda por seu caminho.
É melhor assim: longe, sem nenhum contato. Não sei como reagiria se o visse agora.
Fique aí, com essas pessoas, a política – que decepção! -, longe da sua filha, com suas coisas.
Permanecerei aqui, fiel a esse sentimento que é só meu, convivendo com essa dor que não me poupa em tempo algum.
Parabéns! Feliz aniversário! Saúde, paz e bem!