Vê-se sem lugar. Perdida por entre as gentes. Não há espaço para realizar seus afazeres. Queria fazer como a sintaxe que concerne ao plano organizacional. Ou como na mitologia grega em que o enunciado “Conhece-te a ti mesmo” quer dizer saiba qual é o seu lugar no mundo e o papel que você tem.
Muitas vezes pensa desejar demais; ter necessidade de coisas grandiosas. No entanto, noutros momentos, sente que na verdade só almeja o mínimo: respeito, sinceridade, direito de pensar, sentir e falar livremente, um canto para estudar, refletir, escrever, uma vaga numa instituição pública para seu filho.
Sente-se sozinha, incompreendida, desrespeitada. Há contradições. Tenta isolar-se, mas sua casa está sempre cheia. Encontra-se frequentemente cercada por problemas alheios, mentiras, egoísmo, falsa felicidade. Está cansada, bastante por sinal. É nova, tinha sonhos bonitos, acreditava nas pessoas. Tudo está se perdendo: o tempo, a esperança e a crença.
Suas dores físicas são desencadeadas pela subjetividade, pelo que está dentro – angústias, tristezas, preocupações. O externo prejudica sua concentração. Não consegue ao menos chorar com tranquilidade porque a qualquer momento alguém invadirá o local e perguntará o que está acontecendo. Não entende a razão de tanta cobrança. Não sabe o porquê de sempre ter de encontrar respostas para o que amiúde não se pode responder. Se ela vive, ou sobrevive quase sem resposta, por que os outros também não podem fazê-lo?
Ela só precisa de uma trégua, de compreensão, de silêncio. Precisa que respeitem o que para ela é relevante. Não aguenta mais a sombra da desistência cercando-a. Tem ciência de que é capaz de fazer dar certo, de conquistar seus ideais, mas sente-se fraca, desmotivada, esgotada.
A falta que sente de seus amigos (se é que ainda pode utilizar este vocábulo como qualificador), as boas lembranças de histórias interrompidas covardemente, seu desconforto com seu corpo, a saudade de pessoas ausentes fisicamente, de coisas, momentos, situações e atividades religiosas já estão inseridas na sua rotina.
Já não quer mais falar de amor entre homem e mulher. Já não pensa mais em casamento. Já não acredita que saibam o significado de lealdade, cumplicidade. A dificuldade de levar as pessoas a sério está aumentando sensivelmente.
Chora todos os dias por causas próprias e também por aquilo que não lhe atinge de maneira direta. Dos cinco dias, três só vai para a universidade para não ser reprovada por falta. Docentes jogando matéria, enrolando, correndo com avaliações para terem mais tempo de férias, descomprometidos com a vida acadêmica e futuramente profissional dos seus alunos, focados na sua fama e dinheiro, restaurante universitário com um troço que nem sempre pode ser chamado de comida, sem xerox, sem cantina, sem gramática.
Joana Aparecida quer demais... O mundo nunca foi tanto assim...
ResponderExcluirMulher sonhadora... Ela aprenderá a querer menos.
ResponderExcluirNão penso que Joana Aparecida queira demais!! Ela quer o justo, o merecido! Este mundo de coisas e pessoas (ou de pessoas coisificadas!!) é que se tornou impraticável!! Cada dia fica mais difícil, não é? Também me sinto muito desesperançada ultimamente e me vi no seu texto, Carol! Incrível como me vi aqui!!! Engraçado q me vi no seu lugar e no lugar d quem tira d vc a esperança! Afinal, temos conversado sobre tantas coisas q nos incomodam e ferem. E aquela história de "fazer a sua parte" está ficando impossível também! A gente tenta fazer e se sente solitário; ridículo até!!... Parece q tudo e todos viraram de ponta à cabeça e as coisas q considerávamos errado é o q todos aceitam como certo!! Como assim? Não gosto não!
ResponderExcluirBeijo com afeto!
Ana Peixoto
Ana, minha linda, obrigada pela força!
ResponderExcluirVamos em frente, tentando vencer o desânimo e toda essa desesperança!
Beijo grande!