Outra vez Joana Aparecida se pega refletindo sobre suas questões, as do mundo e as dela em relação ao outro. Novamente, vê-se pensando que necessita fazer análise, terapia ou algum destes tratamentos. Sim, qual é o problema com o vocábulo tratamento? É ruim, perigoso assumir que não consegue lidar com muitos aspectos referentes a si, suas atitudes e reações? É arriscado declarar que sofre dificuldades que talvez milhares de pessoas também sofram, com a diferença de que ela quer melhorar como ser humano, aprender a conviver com tantas cobranças e controlar tudo aquilo que lhe causa dor (física, além de emocional e psicológica), angústia, preocupação, sono intranquilo, ansiedade? A vida não é feita de riscos? A todo instante temos de escolher e corremos o risco de não ser a opção adequada.
Repete-se a fase de Joana Aparecida olhar para sua vida e para a sociedade em que vive e só vir à sua mente a palavra “opressão”. Conversas no trabalho e na faculdade, leituras, entrevistas e novelas na tevê levam-na a pensar no ser oprimido, a enxergar-se oprimida.
Ela sabe que não dá para abandonar tudo (sentido lato), fugir de algo que está dentro dela; que revoltar-se não é a saída eficaz e /ou inteligente, embora, muitas vezes, sejam seus desejos. Por estas razões, pensa que tratar-se com um analista ou terapeuta seja positivo para ajudá-la a sobreviver em meio a tantas imposições.
Joana já conseguiu identificar algumas barreiras que a impossibilitam de alcançar alguns anseios que ora pensa serem básicos ora um pouco mais sofisticados. Entretanto, acreditava que estes empecilhos eram externos, mas, hoje, assim como a Lóri (personagem do livro Uma Aprendizagem de Clarice Lispector), descobriu que o maior e o mais complexo de todos os obstáculos é ela mesma.
Diz que muita gente reclama de falta de tempo, de cobrança, mas que na verdade as pessoas são desorganizadas com seu tempo para família, amigos, religião, estudos e trabalho. Afirma que ela sim pode falar com propriedade que não tempo para dedicar-se ao que gosta e ao que necessita. No entanto, hoje, percebeu que também não sabe ou não consegue, por motivos diversos, arrolar as prioridades da sua vida e deixar para o final o que pode esperar.
Esta moça anda bastante chateada com várias coisas, porém começa a aceitar que parte, ou grande parte dessas coisas que a perturbam são provocadas por ela própria. Que péssimo! Que constrangedor! Que difícil deparar-se com tal constatação!
Sente-se oprimida por ter de dar conta de inúmeras tarefas: ser bom exemplo para seu filho por 24 horas diárias, uma filha paciente e sempre disposta, aluna com notas satisfatórias e boa capacidade de produção, profissional que atinge – ou supera, de preferência – as metas estabelecidas, amiga presente e mulher sempre feliz que dá não espaço para tristeza por não haver motivos.
Como ela gostaria de dar um basta! Anda exausta... Querendo não mais ser vista como especial ou extremamente capaz de tudo que classificam como fundamental, fingir que está bem quando somente o contrário é verdadeiro... Nestas horas, pensa desejar muito, fantasiar mais que o permitido – mas quem é o detentor deste consentimento?...
Talvez, notar-se e assumir-se impedimento, facilite sua luta para mudar, focar, organizar e praticar. Talvez sinta-se pior...
Fica mal quando se percebe contraditória, quando não é prova do que discursa, ao falar o adequado e praticar o oposto. É o que ela almeja modificar para que sua vida torne-se mais leve, mais simples, mais doce.
Não que a opressão não exista, mais ainda sobre as mulheres, porém isto é assunto para outro texto (sorriso de canto de boca).
22/03/13.
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ResponderExcluirJoana Aparecida necessita de um barely legal, mas não é todo dia que se acha gente para fazer um barely legal, não é mesmo? Se a escolha for ruim, o barely sai ruim também.
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