Sentir como a sintaxe da língua portuguesa será benevolente: de
maneira organizada, relacionada, harmoniosa? É possível? Sem nos desestabilizar
e nos fazer flutuar? Tão linda e inteligente é esta sintaxe, no entanto pode
realizar-se fora dos textos escritos e falados e adentrar um local sagrado, o
coração do homem? Tão lindos e benignos são os sentimentos e sensações que
provocam êxtase, paz, alegria. São bons, mas requerem cuidado. Cabe cuidado no
amor? Pra quê? De que tipo?
Nesta ciência, um termo se
comunica com o outro, fica, às vezes, junto do outro, explica e tem o poder de
omitir o outro sem causar prejuízos à compreensão. Na vida, comunicar-se com
quem amamos, ficar perto de quem amamos acarreta sorrisos largos, beijos longos
e abraços apertados. No entanto, ter de esconder que amamos alguém dói quando
já sabemos que é um sentimento só nosso e que não deve ser partilhado com o ser
amado por diversos motivos.
Relacionar-se com outrem de forma
saudável, coerente, significativa é viver a sintaxe na pele, é um deleite. É
respirar do jeito mais adequado, viver sem pressa, de maneira arrumada, sem atropelos
e desatinos. Será possível?
Perguntas, indagações, divagações, subterfúgios... E assim
seguimos (sobre)vivendo: inconformados com os questionamentos sem retorno,
insônia, dores no corpo e na alma, sem esperanças em sermos compreendidos,
correspondidos, respeitados, lembrados, amados.
03/07/16

