domingo, 3 de julho de 2016

SINTAXE SENTIDA

Sentir como a sintaxe da língua portuguesa será benevolente: de maneira organizada, relacionada, harmoniosa? É possível? Sem nos desestabilizar e nos fazer flutuar? Tão linda e inteligente é esta sintaxe, no entanto pode realizar-se fora dos textos escritos e falados e adentrar um local sagrado, o coração do homem? Tão lindos e benignos são os sentimentos e sensações que provocam êxtase, paz, alegria. São bons, mas requerem cuidado. Cabe cuidado no amor? Pra quê? De que tipo?

Nesta ciência, um termo se comunica com o outro, fica, às vezes, junto do outro, explica e tem o poder de omitir o outro sem causar prejuízos à compreensão. Na vida, comunicar-se com quem amamos, ficar perto de quem amamos acarreta sorrisos largos, beijos longos e abraços apertados. No entanto, ter de esconder que amamos alguém dói quando já sabemos que é um sentimento só nosso e que não deve ser partilhado com o ser amado por diversos motivos.

Relacionar-se com outrem de forma saudável, coerente, significativa é viver a sintaxe na pele, é um deleite. É respirar do jeito mais adequado, viver sem pressa, de maneira arrumada, sem atropelos e desatinos. Será possível?

Perguntas, indagações, divagações, subterfúgios... E assim seguimos (sobre)vivendo: inconformados com os questionamentos sem retorno, insônia, dores no corpo e na alma, sem esperanças em sermos compreendidos, correspondidos, respeitados, lembrados, amados.


03/07/16


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