Vez em quando olho para a minha vida, visito a “Floresta Encantada da Rememoração” de Walter Benjamin, releio cartas e bilhetes, vejo fotos e tanta coisa bonita vem à mente, embora também surjam tristezas no peito.
Quando pequena, por volta dos três ou quatro anos de idade estava no Jardim 1, depois o 2, o 3, o pré-c.a e o c.a. no Colégio Santa Mônica com a professora Mara, minha tia Mara. Os anos passaram e infelizmente não chegou a nascer uma amizade como a conhecemos. No entanto, nos anos subsequentes eu ia regularmente à sala da tia Mara para dar um beijo e receber aquele abraço apertado que eu dizia suforcar-me de tanto carinho rs. Quando saí do colégio, após a antiga 5ª série, continuei as visitas um pouco mais infrequentes. Nasceu o Nicolas – seu filho gatíssimo rs. Depois começamos a nos encontrar no ônibus 918 – Bangu x Bonsucesso. Eu indo trabalhar na transportadora em Cordovil e depois em Jardim América e ela indo ministrar suas aulas no mesmo colégio em Bento Ribeiro. E nas férias da faculdade passei por lá às 11h30 (horário da saída) para o famoso abraço. Já nos encontramos algumas vezes em Marechal Hermes e numa delas conheci seu netinho – uma graça de menino cujo nome esqueci – filho do Nicolas que agora está com 19 anos. É uma pena que ela só conheça meu filho através de fotografia. Gostaria que meu filho estudasse com ela.
Depois vieram as tias Beth e Verônica, uns amores também. Até a 5ª série também elas receberam minhas visitas durante as aulas e nos passeios da escola ficávamos sempre próximas. Era bom demais! Sentia-me querida!
Mudei de escola. Cheguei ao colégio Américo de Oliveira, onde ganhei minha primeira amizade com alguém realmente mais velho. Professora Mary Dalva, a Dª. Mary. Com ela é amizade mesmo. Frequentamos a casa uma da outra, conhecemos nossos familiares, saímos e até já trabalhamos juntas organizando festas – dava um bom dinheiro rs. Sei muito dela e ela sabe bastante de mim. Gosto dos seus pais, tenho mais afinidade com a mãe, Dª. Terezinha. Eita mulher gentil! Sua irmã se tornou minha tia, já que ela diz ter-me como a filha que ela não teve. É outro encanto de pessoa também, “tia” Marilene. Foi minha professora de História na mesma escola. Pessoas muito especiais na minha vida. Dª. Mary me ajudou demais nos estudos e na vida particular, abriu-me os olhos muitas vezes, contribuiu significativamente para o meu amadurecimento. E o melhor, é professora da minha disciplina preferida: Português. Ela dizia que quando falava em orações subordinadas meus olhos brilhavam rs. Não tinha como não aprender com ela, não dava para não gostar da matéria. Tirar nota alta? Não era naaada fácil. Briguei por ela várias vezes. Deu-me aula nas 7ª e 8ª séries e 1º ano do antigo segundo grau. Briguei para ter aula com ela nas séries seguintes mas INFELIZMENTE não consegui e custei a conformar-me. Passava as tardes com ela na sala da 4ª série. Ela dizia que eu era sua estagiária e sentia falta quando eu não aparecia porque tinha de estudar. E as crianças? Algumas até hoje me chamam de tia. Deram-me cartinhas. Exigiam minha presença nas comemorações na escola. Umas fôfas! Tempo bom! Era um deleite! Ficamos um tempo distantes. Ela sempre esteve no mesmo lugar mas eu sumi. Quando apareci na sua casa com meu filho elas – Mary, Marilene e Dª. Terezinha – tiveram um choque e custaram a acreditar. Tive de mostrar a certidão de nascimento do moleque. Como rimos. Que tarde gostosa! Retomamos o contato. Lembraram-se das cartas e “presentes” que receberam de mim. As cartas disseram ainda ter. Pura sensibilidade. Dª. Mary ficou radiante ao saber que estou cursando Letras, disse que preciso fazer a diferença e colaborar para que não matem a gramática.
No Colégio e Curso Soeiro, quando estudava no pré-militar, pensei que tinha iniciado duas amizades. Uma com o professor de Matemática – excelente professor por sinal – e outra com o de Português. Mas não deu. Este pediu demissão no ano posterior e mudou-se para outro estado, uma pena. Explicava tão bem. Demonstrava tanto conhecimento. Aquele foi uma decepção no âmbito particular, ou seja, nada relacionado ao ensino, embora não tenha nada que me envolva direta e nem indiretamente.
Depois no Senac. Curso de Técnico em Segurança do Trabalho. Professores em sua maioria homens (fechados e sérios como são geralmente), apenas três mulheres – gente boníssima e excelentes profissionais. Com a Guia e com a Luciana tenho contato até hoje. A maioria já sabe não é? Envolvi-me com o Washington, meu professor na época, que vem a ser o pai do meu moleque. Foi engraçado, inédito e durante um período, gostoso, mas como muitas relações, após três anos chegou ao fim. Olhei a primeira vez e interessei-me mas pensei que não tinha chance e então decidi nem tentar. Foi quando ele me surpreendeu tomando a iniciativa, nem acreditei. Enfim, mesmo namorando sentia que não éramos amigos e realmente não fomos, não somos. Que homem reservado, individualista. Hoje, apenas pais do João Pedro. Também tive mais contato com outro professor, o Henrique. Cara difícil, um típico “cabeça dura” que namorava uma mulher de alma bonita e personalidade forte, Thaís. Não nos tornamos amigas, mas ainda mantemos contato. Saíamos os quatro para tomar cerveja, ir às festas, mas Henrique sempre fechado, embora muito divertido. Não temos mais contato.
Os anos passaram até que cheguei à Rural. Pensava que na universidade beiraria ao impossível ser amiga de professor, ou ter um como amigo. Todos doutores, devem manter a maior distância dos estudantes, pensava eu. “Caí do cavalo” como se diz. A queda não doeu, não houve feridas. Fernando me amparou. Sim, Fernando Vieira Peixoto Filho. O professor que adentrou a sala, escreveu no quadro a data, seu nome e também o da disciplina e mais uma porção de coisas sem dizer uma palavra. Entrei em desespero! Rs. Pensei: meu Deus, justo o professor de gramática é assim, bicudo? Poderia ser o de qualquer outra disciplina menos o da minha predileta. E de fato ele não é assim, graças a Deus! Rs. Ganhei de presente estudar com ele novamente neste período. Que bênção! Este ano ele falou em função fática e compreendi um pouco mais do seu jeito e de outras coisas. Devem estar pensando... Só falta a Carol dizer que é amiga do professor Fernando? Respondo-lhes: sou sim. Anjo da Guarda (palavras dele). Primeiro nasceu a admiração pelo professor. Após tomar conhecimento de um triste fato que envolveu além dele, sua esposa, nasceu a admiração pelo ser humano. Aproveito o espaço para dizer que o carinho e o respeito que nutro por ele são oriundos do seu amor por sua mãe e por sua esposa. Comecei a falar com a Ana através do Facebook e tempos depois vim saber que ela era esposa do professor Fernando. Nada mudou. Demoramos a ver-nos nos corredores do campus. Pensávamos ser virtuais rsrs. Ana! Que mulher! Ela nem sabe o quanto me ensina. Ganhou minha admiração com uma facilidade surpreendente. Identifico-me demais com ela e talvez nem seja do seu conhecimento. Estamos desde o ano passado tentando almoçar juntas e nem agora que fazemos o curso de Mitologia Grega Clássica conseguimos fazer o almoço acontecer rs. Mas ainda não desistimos! Sempre nos falamos na internet e por mensagens no celular. Uma pessoa encantadora.
Voltando ao Fernando. Ele sabe bastantes coisas e não sabe muitas outras também. Não entende por que as pessoas o admiram, julga-se antipático, isolado e cheio de neuroses. Talvez seja, sei lá. O que me importa é saber que vejo muito de mim nele e é assim. Tem muito da Carol da Hora nos meus amigos. Ele é sensível, de verdade. Raros são homens assim. Não é sensível porque chora – ele chora mesmo. É sensível porque ouve as pessoas, dá atenção, parece ser paciente, não tem vergonha das suas misérias, é guiado mais pelos sentimentos que pela razão (isso não é ruim) e acima de tudo, ele ama. Ama verdadeiramente sua esposa, filhos, familiares e amigos. Ama dar aula. Nosso limite ainda é o espaço físico das salas de aula. No entanto, muito em breve ultrapassaremos esse limite. Tomaremos nosso chocolate quente. Eu, ele, Ana e os outros dois amigos deles. Noutros momentos conhecerei seus filhos e sua casa e ele conhecerá meu filho, minha mãe, minha avó Luiza e minha casa.
Já sabemos um pouco um do outro. Assim é o início da amizade. Sabe-se um pouco, e mais um pouco até se saber muito. O bacana é a transparência, a verdade, o respeito que posso afirmar serem a base dessa amizade que está brotando. Amizade que nasce no amor e na fé é assim. Mexe com a gente e não dá espaço para nenhum tipo de interesse. Ninguém olha o que se tem, apenas o que se é. É um sentimento abençoado.
O tempo está passando e já se aproxima a dor de não estudar com ele nos próximos períodos. Aff! Não quero pensar nisso agora!
Meus amigos sabem que quando rezo peço a Deus para regar e fortalecer a nossa amizade. Agora é a vez do Fernando saber disso. À Nossa Senhora das Graças peço a proteção para que a discórdia e a inveja não se aproximem das nossas relações.
Seja muito mais que bem vindo, Fernando!
Adendo: confiram nos linques a seguir o que ele aprontou.