À época do século XIX a literatura estava inserida no cotidiano das pessoas, era um hábito comum e não tinha interesse econômico. Estava no auge da influência.
Até o século XIX a literatura vivia numa dialética de que um escritor lia escritores dos séculos anteriores para compor seus textos tomando os pontos mais relevantes dos outros e acrescentando algo.
O livro no século XIX era como o cinema de Hollywood. Mas no século XX a obra perdeu esse caráter devido ao aparecimento das novas mídias que privilegiam a imagem em detrimento da linguagem verbal. Exemplo: ao buscar uma determinada música na internet através do sítio youtube, aparece-nos um vídeo em vez de somente a letra escrita.
Atualmente a literatura parece uma obrigatoriedade. Não temos interesse espontâneo como quando ligamos a tevê ou rádio, ou conectamo-nos à internet.
É possível afirmar que estudar literatura clássica hoje é um luxo. No entanto, tornou-se algo obrigatório por fazer parte das disciplinas obrigatórias nas escolas e universidades. Trata-se de um luxo por não termos na tevê, no cinema, no rádio; temos de pesquisar para ter acesso aos textos clássicos.
Não temos a mídia em geral incentivando a leitura de textos clássicos como as obras de Machado de Assis, Clarice Lispector, Walter Benjamin entre outros. As novas mídias têm o princípio da apassividade, princípio constitutivo do apassivamento.
Vivemos a era da informação midiática que não nos possibilita concatenar e associar outras informações e ideias. Um exemplo prático e atual seriam os telejornais que veiculam notícias de forma resumida e ligeira, superficial. Quando começamos a refletir sobre um determinado assunto outra notícia já está sendo transmitida.
A mídia em suas várias vertentes produz o indivíduo alienado e alimenta a semi-formação, que é um problema diretamente ligado a literatura.
A semi-formação é uma espécie de doença oriunda da incapacidade das pessoas em pensar na totalidade dos fatos. É um pensamento incompleto, insuficiente. Isso dificulta a compreensão de textos clássicos.
É possível pensar que um dos motivos de o curso de graduação em Letras estudar literatura seja o fato de ela ser uma das melhores coisas criadas pela cultura global. É diversão e conhecimento. É o melhor da arte em geral, pois tem um alto valor estético.
A literatura foi introduzida pela escrita. O foco narrativo começou na literatura. A poesia, a literatura, exercita diversas faculdades cognitivas.
O poeta condensa experiência. Poetar é procurar o oposto, é buscar a graça da vida nas coisas, sempre procurando a jóia por trás do marasmo das coisas.
A poesia expande o foco para a vida como um todo e com uma especificidade na graça da vida que está no contínuo começar a ser o que não era antes. Buscar a poesia é descobrir algo vago, mas que está na faculdade emocional.
Tudo isso está diretamente relacionado à pobreza da experiência.
Quando ocorre uma transmissão rápida de informação, acontece a perda da experiência. A experiência é destruída pelo fato de a informação histórica ser mediada pela tecnologia; sofre influências, por isso não existe fato puro. A falta de experiência prejudica o ato de narrar. A tecnologia ajuda bastante mas também ocasiona prejuízos.
Não temos necessariamente de aderir à tradição, devemos criticá-la sem jogá-la fora. Mas hoje em dia as riquezas de experiências são desvalorizadas. Aí se fala na formação (conjunto de saberes que forma um homem um ser crítico).
O texto Experiência e Pobreza do livro Magia e Técnica, Arte e Política de Walter Benjamin alude a um novo conceito de pobreza: fazer parte de um mundo que privilegia a informação do dia e despreza a experiência do passado.
Uma maneira de enriquecer a experiência é colocando a razão para funcionar.
Resumo elaborado na tentativa de compreender melhor parte do assunto da 1ª prova de Teoria da Literatura II.
Teorizar é identificar, estabelecer relações. “Para teorizar é preciso conceituar.” (Eduardo Losso).
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