Amigos que se amam, logo, se respeitam. Amigos que moram próximo mas nem sempre se veem. Amigos que o tempo transformou
Um dia ele avisou que a mãe estava internada num hospital próximo a casa deles. Ela ficou tensa, pois sabia da gravidade do caso, mas ainda assim conseguiu – ou pensa ter conseguido – transmitir alguma força naquele momento delicado. Ela tentava não abandonar o pensamento positivo mas a realidade era dura, preocupava. Fez-se presente. Cobrava-lhe o cuidado com a alimentação e notícias regulares.
Alguns dias depois, ele, que ligara para avisar da internação, dessa vez ligava para comunicar o falecimento. Ela precisava, rapidamente, encontrar palavras e saiu apenas a frase Conta comigo! Desligou. Chorou. Rezou. Aflita, perguntava a Deus o que seria do seu amigo sem a mãe, sem sua única companhia dentro de casa. Perguntava ao Pai o que ela devia fazer de imediato. Rezou e acordou com Deus que tomaria conta do seu amigo, que estaria sempre por perto. Acredita estar conseguindo cumprir o trato.
Velório. Dia e horário da prova optativa dela na universidade. Escolheu abraçar seu amigo em detrimento da chance de aumentar sua nota. Naquela manhã, só importava dar-lhe algum apoio; já não se preocupava com o “cr”. Estava nervosa. Pedia a Deus força. Não queria chorar. Não queria ficar de longe. Quase tudo em vão. Na porta da capela, ao ver seu amigo-irmão desprotegido, temeroso, frágil, completamente envolvido de amor e dor, ela o abraçou, sem tirar os óculos escuros, e desabaram. Que abraço forte – certamente o mais forte que deram! Um choro alto, intenso, cujas palavras faziam-se desnecessárias naquela hora. Quanto amor! Quanto companheirismo! Quanta solidariedade!
Enterro. Foi difícil. Com caixão depositado no local determinado, ele gritava para sua mãe, com o peito transbordando de amor, dor e medo. Ela chorava, rezava e sentia orgulho do seu amigo e suas palavras à mãe. Familiares e amigos presente. Todos em comunhão naquele momento, tentando transmitir força ao Bruno. Que bonito!
Na volta para a porta do cemitério, eles caminharam de mãos dadas, deixando clara a união verdadeira que existia – e existe –, o apoio mútuo, o carinho. Até sorriram, quase gargalharam. A alegria sempre imperou na relação deles.
Ela voltou para sua casa. Triste, sensível, preocupada. Ele foi almoçar com os amigos, o que a deixou um pouco mais tranquila.
A semana passou, eles trocaram mensagens via celular e internet e mais uma ligação, dessa vez para confirmar dia e horário da missa de sétimo dia.
Ela saiu mais cedo do trabalho e foi direto para a Igreja, tensa com o clima que poderia estar. Graças a Deus foi surpreendida positivamente. Ficaram o tempo todo abraçados. Rezaram junto. Após, foram comer porque ele encontrava-se bastante faminto – para variar rs. Pessoas bacanas os acompanharam na lanchonete e riram muito. Gargalhada sincera, para aliviar as lembranças e a certeza de voltar para casa e não mais vê-la.
A ausência é um fato, assim como a amizade e o carinho que existe entre Bruno e Carolina, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, como ela diz.
Meu amor, cuide-se e continue contanto comigo para qualquer coisa e a qualquer hora.
Mil beijos e que Deus o abençoe!

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