domingo, 2 de dezembro de 2012

SURPRESA

Tantos pensamentos para transcrever... Coisas para organizar em palavras. Entretanto, não dá para deixar o inesperado passar em branco, como se fosse uma camisa vazia. Como ouvir, ver, sentir e não nascer um conjunto de frases? Não, não seria eu se nada escrevesse. Tem de haver tradução para essas lágrimas que mais uma vez inundam minh’alma.

Domingo reservado para arrumar o quarto e estudar para as provas de espanhol e morfossintaxe do português, embora no momento da surpresa estivesse corrigindo as redações das turmas de pré-vestibular – que também estão positivamente surpreendentes.

Você gritou, meu ar faltou. Você subiu e eu me escondi. Por quê? Tão natural seria cumprimentarmo-nos. Natural? Não há espaço para naturalidade quando tanta coisa ficou perdida ao longo desses dois anos; quando inúmeros sentimentos vagaram dia e noite; quando tantas vezes olhei nossas fotos, perguntando o que teria acontecido.

Na sala você ficou. Perguntou por mim, por meu filho e um tom decepcionado senti. Não aparecemos. Meu filho tomou conta de mim, parecia ele sentir minha aflição, meu ar roubado pelo volume da sua voz ao lado do meu quarto, este que já foi nosso algumas vezes.

Quantos minutos passaram, não faço ideia. Ao abrir a janela, vi que lá embaixo ela estava. Dentro do carro estava quem você escolheu; aquela que sabe de você. Que difícil!

Olho para o teclado do computador e sua risada não sai do meu apartamento. Dou um sorriso de canto de boca lembrando de você perguntando por mim, pois sabia em casa eu estava.

Que vontade de correr e perguntar tudo que venho buscando entender no decorrer dessa história! Que vontade de pedir um abraço – sei que você não se recusaria! Que vontade de olhá-lo de perto, sentir seu cheiro! Quantas vontades... E não são daquelas que dão e passam.

Quem me dera ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.
Você se foi e eu saí do quarto. Agi como se nada tivesse acontecido, como se sua “visita” não tivesse sido como um furacão que tudo abala. Elas saíram, e quando somente eu e Brigadeiro ficamos, desabei. As mãos trêmulas dificultavam-me beber um copo d’água. Só pensava em você, só queria você aqui comigo. Não idealizo mais nada, não acredito em nada, não quero que ninguém acredite em mim.

É sempre você. E mesmo com tanto amor, sinto-me profundamente cansada de sentir tudo isso sozinha. Tenho de descobrir um jeito de conviver com isso de maneira mais amena. Não quero mais intensidade. Não há nada para provar para ninguém.

E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Então tá. Vamos em frente. Minha única opção é seguir longe de você, fora da sua vida; algumas vezes sorrindo por fora e chorando por dentro, como tanta gente que se julga fraca consegue fazer.
Fique bem, meu amor! Permanecerei orando por você, orando por mim.
Cuide bem do seu amor
Seja quem for...


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