É tão ruim assumir a tristeza, as preocupações e minhas angústias quando ele está por perto, sorrindo ou fazendo alguma gracinha que me encanta e provoca riso. Ou quando ele me abraça e beija e me ilumina com a luz dos seus olhos. Nestes momentos é vergonhoso sentir-me deprimida.
Ainda assim, mesmo com esta bênção na minha vida, arrumo um jeito de ficar chateada, pensando em tudo que me aflige, me incomoda e me rouba o sono, a paz e a alegria. Porque é contraditório demais ficar agradecendo pela vida do João Pedro, pela felicidade que ele me proporciona e, depois, ou antes, ficar chorando, escondida pelos cantos feito a poeira do Renato Russo.
Ele tem evoluído na escola, ainda que lentamente, mas o progresso está acontecendo. Chega com novas músicas, novos detalhes, emocionando-me sempre. E diante disso ainda consigo me entristecer. Absurdo!
Pergunto-me com que direito fico assim... Já não estou me suportando... Uma ansiedade esquisita. Uma vontade de abandonar tudo e viver só para ele e para a faculdade. Cansada de ficar sofrendo pelas mesmas coisas sabendo que por enquanto não mudarão porque não há solução.
Gustavo fala em outros caminhos... Ana fala em algo bom que está por vir... No entanto, não consigo enxergar, não consigo esperar e absorver o fato de o tempo de Deus ser diferente do meu, de Ele saber exatamente do que e de quando necessito. Mas que droga! Meu filho não merece uma mãe assim, que vive dizendo não ter tempo, que vive cansada, chateada, irritada, cheia de dor na coluna, na cabeça, no joelho. Não sei como a gastrite ainda não deu sinal. Ah, desta vez foi a falta de ar.
Há momentos de risada, claro que há; sorrisos sinceros, mas a cabeça não consegue desviar os pensamentos tão sérios e infelizes. Sim, a infelicidade está bastante presente.
Como posso dar espaço para a desventura com um tesouro como João Pedro aqui pertinho de mim? Como consigo permitir uma situação dessa? Como admitir tristeza e João Pedro como marcadores de um mesmo texto? Não sei. É confusão. É o que sinto. Não consigo lutar contra. Não vejo outras estradas, e não me refiro a atalhos. Só queria outros caminhos e opções. Eles existem? Ok, então onde estão?
Perdão, meu filho, por esta fase chata, de tanta ausência... Entretanto, permanecem valendo meu amor, carinho, respeito e constante oração por sua trajetória! Mamãe o ama profunda e incondicionalmente!
