sexta-feira, 19 de abril de 2013

O TESOURO E O DESCONTENTAMENTO DE AGORA

É tão ruim assumir a tristeza, as preocupações e minhas angústias quando ele está por perto, sorrindo ou fazendo alguma gracinha que me encanta e provoca riso. Ou quando ele me abraça e beija e me ilumina com a luz dos seus olhos. Nestes momentos é vergonhoso sentir-me deprimida.

Ainda assim, mesmo com esta bênção na minha vida, arrumo um jeito de ficar chateada, pensando em tudo que me aflige, me incomoda e me rouba o sono, a paz e a alegria. Porque é contraditório demais ficar agradecendo pela vida do João Pedro, pela felicidade que ele me proporciona e, depois, ou antes, ficar chorando, escondida pelos cantos feito a poeira do Renato Russo.

Ele tem evoluído na escola, ainda que lentamente, mas o progresso está acontecendo. Chega com novas músicas, novos detalhes, emocionando-me sempre. E diante disso ainda consigo me entristecer. Absurdo!

Pergunto-me com que direito fico assim... Já não estou me suportando... Uma ansiedade esquisita. Uma vontade de abandonar tudo e viver só para ele e para a faculdade. Cansada de ficar sofrendo pelas mesmas coisas sabendo que por enquanto não mudarão porque não há solução.

Gustavo fala em outros caminhos... Ana fala em algo bom que está por vir... No entanto, não consigo enxergar, não consigo esperar e absorver o fato de o tempo de Deus ser diferente do meu, de Ele saber exatamente do que e de quando necessito. Mas que droga! Meu filho não merece uma mãe assim, que vive dizendo não ter tempo, que vive cansada, chateada, irritada, cheia de dor na coluna, na cabeça, no joelho. Não sei como a gastrite ainda não deu sinal. Ah, desta vez foi a falta de ar.

Há momentos de risada, claro que há; sorrisos sinceros, mas a cabeça não consegue desviar os pensamentos tão sérios e infelizes. Sim, a infelicidade está bastante presente.

Como posso dar espaço para a desventura com um tesouro como João Pedro aqui pertinho de mim? Como consigo permitir uma situação dessa? Como admitir tristeza e João Pedro como marcadores de um mesmo texto? Não sei. É confusão. É o que sinto. Não consigo lutar contra. Não vejo outras estradas, e não me refiro a atalhos. Só queria outros caminhos e opções. Eles existem? Ok, então onde estão?

Perdão, meu filho, por esta fase chata, de tanta ausência... Entretanto, permanecem valendo meu amor, carinho, respeito e constante oração por sua trajetória! Mamãe o ama profunda e incondicionalmente!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

DESABAFO [2]

Ultimamente, não tem sido apenas nas longas e frias madrugadas que ela chora. À noite, pela manhã ou à tarde, Joana Aparecida derrama ao menos duas ou três lágrimas sem mover-se muito para não chamar atenção, porque nestes períodos ela sempre está num ambiente acompanhada de pessoas conhecidas ou desconhecidas.

Hoje, ela derramou três lágrimas na faculdade: uma no laboratório de informática e duas no banheiro; de maneira rápida e discreta. Está realmente confusa, sem conseguir ordenar os problemas, entregando-se ao desespero, ao cansaço, à desistência, à comida, de forma exagerada. Sente-se mal. Sente-se fragilizada. Sente-se sobremaneira constrangida.

Joana Aparecida sente constrangimento e vergonha por envolver-se com depressão e discursar e escrever sobre Deus, Nossa Senhora e fé. Ela pensa: “Como atingir a intimidade de quem me cerca, de quem me lê, deixando-me vencer por fraqueza, desespero, ausência na missa? Como testemunhar o que não é praticado? Acreditar no amor de Deus e dizer que acredita jamais será suficiente.” Ela sabe que dar testemunho das bênçãos do Senhor é compartilhá-las com as pessoas através das palavras o que é sentido e experimentado, verdadeiramente, sob a Luz do Espírito Santo. É verbalizar a força do poder de Deus sob a intercessão da Virgem Maria. Aí estão a contradição e a pequenez humanas.

Ela tem tantas preocupações, anda tão ansiosa com algo que nem conseguiu identificar de forma concisa, que não consegue enxergar possibilidades, saídas; não consegue acalmar-se para notar os sinais de Deus. Sim, Deus dá sinais aos seus filhos a todo instante, entretanto, para vê-los, é preciso silenciar, confiar, abrir os olhos e os ouvidos, também os do coração.

A moça quer o fim do período da faculdade. Não está feliz no trabalho. Deseja rever seus amigos, os quais sempre estiveram com ela ao longo destes dez/quinze anos. Precisa de mais tempo com seu filho, acompanhar melhor as coisas da vida dele. Quer envolver-se mais com as leituras, os estudos e tudo o que a universidade tem a oferecer-lhe. Mesmo essa universidade cheia de gente esquisita, com bastantes coisas fora do lugar, mas que também tem gente de bem, comprometida e alguns bons espaços físicos.

Joana Aparecida está com um choro acumulado dia após dia, sem espaço para esvaziar-se, sem um colo mudo. Não que não tenha amigos queridos, especiais, bons pra ter ao lado. Falta-lhe tempo e talvez coragem. Assumir fraquezas e angústias não é a coisa mais fácil e simples da vida.

Está difícil em casa, na faculdade, no trabalho. Problemas, problemas, problemas. Todos têm. É verdade. No entanto, a fase está conturbada demais, com um peso absurdo. Ouviu hoje de uma amiga que é melhor crer que tudo de ruim que está acontecendo é apenas antecedente de algo muito bom que está por vir. Joana pretende exercitar esta ideia para seguir em frente.

Talvez este conjunto de palavras não possa ser encarado como um desabafo, mas não há espaço para duvidar de que se trata do que realmente é vivido agora.


domingo, 14 de abril de 2013

OUTRAS ALTERNATIVAS

Dizer que a vida é uma escolha, que é feita de escolhas, frequentemente tem de se fazer escolhas é algo comum, corriqueiro; já deixou de ser motivo de reflexão, ao menos para a maior parte das pessoas.

Entretanto, há momentos, períodos da vida, em que escolher é intenso demais, bastante presente a todo instante. E, inúmeras vezes, as alternativas ficam na penumbra, dificultando a visão, impossibilitando a escolha.

Às vezes dá vontade de não pesar as consequências e simplesmente fazer o que se tem vontade, o que sente saudade, aproveitar a oportunidade de aliviar a tensão.

E nesta tarde de quinta-feira foi assim. Aula de morfossintaxe do português – oportunidade de relembrar aspectos gramaticais da língua portuguesa de maneira eficaz. Em seguida, algumas (poucas) horas de ótima companhia e bom papo, a fim de esquecer-se da péssima noite e dos tristes acontecimentos da vida, da rotina de cobranças e responsabilidades. Deu certo. Falou-se de coisa séria, mas houve largo espaço para boas risadas, ainda que às custas de somente uma pessoa; eram dois contra um.

Nessa tarde, ela optou por ignorar os afazeres do trabalho, ficar tranquila por saber que seu filho estaria em mãos seguras e gozar a chance de desviar-se das preocupações. Ótima escolha! Foi embora contente, sorrindo ao lembrar-se dos comentários.

Os efeitos foram pesados, mas não abriu espaço para suas próprias reclamações porque já sabia o que viria a seguir. Arrependimentos? Não houve. Valeu a pena rir e fazer sorrir, dividir o peso, sentir que nem sempre a solidão deve vencer.

Em meio à turbulência, ao cansaço, ao desânimo, à tristeza, ainda é possível encontrar carinho, amizade, companhia; ainda é possível viver bons momentos, instantes de leveza; ainda é possível escolher outras alternativas.


11/04/13.


sábado, 13 de abril de 2013

MEUS GOSTOS

Gosto de preto,
nego,
negão.

Gosto de pegada,
cheiro,
sabor.

Gosto de chocolate ao leite,
chocolate preto,
cacau de boa qualidade.

Gosto de bom papo,
gingado,
bom humor.

Gosto de boa companhia,
educação,
gentileza.

Gosto de mãos dadas,
passeio na praia,
trilha sonora.

Gosto de samba,
charme,
jazz.

Gosto de cinema,
teatro,
assistir à vitória do Flamengo sobre o Vasco.

Gosto de gostar de viver,
ser feliz,
fazer feliz.

Gosto muito,
desde o início,
até o fim.


sábado, 6 de abril de 2013

VOCÊ AQUI

Chegou hoje de Araruama. Veio dar um beijo na mãe e matar a saudade da família. Foi recebido com um bom almoço e pessoas queridas reunidas à sua espera. Imagino a alegria. Devem ter tirado fotos. Não sei se veio acompanhado. Não sei se ela está ao seu lado nesta hora. Não sei até quando ficará aqui. Tenho ciência apenas do que sinto, do que tenho vivido enquanto você esteve/está por lá. Não houve mudanças. Você veio ao Rio, no entanto as águas do rio que corre pela cidade não levaram embora o meu amor, as lembranças, a saudade, o seu cordão, as fotos. Está tudo aqui, como você abandonou depois daquele 4 de fevereiro de 2011. Permaneço orando por você, sua saúde mental, física, emocional, espiritual. Continuo ouvindo as músicas que me transportam de volta aos nossos melhores momentos, os mais emocionantes, ao nosso 1º beijo, à nossa 1ª noite de amor. Não sei se terei notícias suas; será que me fará bem tê-las? Olhar pra você de novo também não quero, não como estou agora: triste, chateada, exausta, inconformada com inúmeras coisas, sozinha. Desejo vê-lo novamente quando eu e você estivermos bem: você com sua vida, suas pessoas, suas coisas e eu com as minhas. Será pedir muito? Mas se nem pedir eu posso, se nem sonhar eu posso, o que me resta? Você está aqui, no bairro vizinho, lugar de muitas conversas, troca de carinho, beijos demorados, entrega de cartas, trilha sonora. Como me desfazer de tudo isto? É humanamente impossível! Era tão nova, queria tão pouco da vida e já me preocupava tanto com você... A distância que nos separa agora é insignificante. Você dirige, eu também. Antes você vinha de bicicleta e eu ia de Kombi ou de carona com minha mãe. Entretanto, há a lonjura dos pensamentos, desejos, sentimentos, realidades... Seguirei por aqui: sem notícias, sofrendo vez em quando, amando eternamente, orando sempre. Pedindo a Deus mais força, sabedoria e resignação.   










DA NOITE PARA O DIA

Se da noite para o dia
milhares de crianças nascem,
brincam,
andam,
aprendem a falar.

Se da noite para o dia
centenas de pessoas dançam,
brigam,
dormem,
fazem amor.

Se da noite para o dia
ele sofre com crise de renite
somada a uma forte gripe,
tosse,
chora.

Se da noite para o dia
termina-se a leitura de um livro,
responde-se e envia-se emeios,
releem cartas,
reveem fotos,
ouvem inúmeras músicas.

Se da noite para o dia
têm insônia,
saudade,
cefaleia.

Se da noite para o dia
rezam,
cantam,
louvam,
pedem,
agradecem.

Por que da noite para o dia
tenho de esquecer você,
nossas conversas,
nossas risadas,
nossas noites de amor?

Por que da noite para o dia
tenho de superar toda a minha ansiedade,
solucionar meus problemas,
dar conta dos meus afazeres?

Por que da noite para o dia
tenho de deixar de ser criança,
de sonhar,
de sorrir
para viver a dura vida de gente adulta?

Por que da noite para o dia
não conseguimos ser pessoas melhores,
mais respeitosas,
solidárias
e compreensivas?

Por que da noite para o dia
não cremos no poder de Deus
e no amor de Maria?

Por que da noite para o dia
quero ter todas as respostas?

sexta-feira, 5 de abril de 2013

AO MESMO TEMPO

Fatos ocorrem simultaneamente a cada instante do dia. Uns bons, agradáveis, gostosos, alegres. Outros tristes, angustiantes, preocupantes, desagradáveis, irritantes. Mas, ainda assim, acontecem lado a lado.

Lado a lado é bom para pais e filhos, maridos e esposas, avós e netos, irmãos, amigos, professores e alunos. É aliviador olhar para o lado e não ver vazio, dor, aflição. É consolador ter ao lado amor, carinho, atenção, respeito e amizade.

É possível verificar a inconstância do ser humano, não por escolha, mas por imposição, mesmo em alguém cuja sensibilidade não seja tão perspicaz. Isto ocorre porque no decorrer do dia vive-se, saborea-se o doce e o azedo. Ora sente-se alegria ora tristeza. Ora fica-se contente ora chateado. Ora emociona-se por algo estupendo ora chora por notícias ruins.

Enquanto ela celebrava mais um ano de vida uma pessoa próxima morria. Enquanto ele chorava a partida do irmão a amiga ficava ciente de uma maravilhosa novidade. Enquanto eles choravam a morte a vida se fazia presente e sorridente através das crianças que ali estavam. Enquanto havia tantas pessoas alguns estavam sozinhos. Enquanto tentava transmitir força com sua presença se preocupava com seu filho e seu trabalho.

Será este o tal ciclo da vida?

Mas foi também ali, entre aquelas gentes, ao passo que o corpo era velado, orações eram feitas, pai e filho se abraçavam de maneira emocionante. O filho, ao entrelaçar sua mão na do pai e oferecer-lhe seu ombro para que este chorasse em segurança, aniquilava qualquer incerteza do pai em relação ao amor e preocupação do seu filho. Ali foram sanadas todas as dúvidas acerca do amor, do zelo, da solidariedade e do companheirismo do filho para com seu pai. Bonito demais ver toda a magia daquela cena no mesmo instante em que se aguardava o sepultamento.

Era muita gente, muitas dores misturadas, muitas perguntas sem respostas, revoltas, saudades. No entanto, todas essas dores de quem nunca se viu na vida tinham uma similitude: a despedida.

E outras despedidas aconteceram. Cada um foi embora para o seu destino, com a mente repleta de questões que necessitam de reflexão. Despediram-se com abraços silenciosos, beijos carinhosos, mãos dadas, tentativa de palavras consoladoras.
Há de se ter cuidado na despedida, momento delicado, hora que encerra qualquer possibilidade de retorno, instante de certeza do fim. É necessário prudência com as palavras no momento de fragilidade. Vocábulos completamente esvaziados semanticamente não despertam fé, não provocam paz, apenas prolongam a dor, o cansaço, o desconforto. Trazem à tona, novamente, tudo aquilo que se questiona há tempos. Refere-se aqui à função fática, ao “falar da boca pra fora”.

É exatamente assim: tudo ao mesmo. Há uma mescla de sentimentos, uma confusão de pensamentos, uma mistura de sensações.

O que deve permanecer é a fé em Deus, porque Ele, com certeza, acolhe todos os seus filhos, apega-se, principalmente, àqueles que sofrem/sofreram demais, que vivenciam/vivenciaram uma tristeza profunda. Ele perdoa as fraquezas humanas porque conhece cada cantinho que preenche os seres humanos.

Deve ficar também a fé na Virgem Maria, pois é a Ela que Jesus ouve e obedece. É Ela que cuida de todas as pessoas criadas por Deus, como seus filhos do coração. Ela é detentora da intercessão mais poderosa que existe, que tem o colo mais acolhedor.