quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

SEM NOVIDADE

Natal 2013 me possibilitou estar com você de novo; na mesma casa, no mesmo quarto e, no entanto, um nítido abismo separava nossos corpos, embora eu tenha observações que me levem a crer que nossos corações não estavam separados; pelo menos não ali.

Você está diferente, ainda que só externamente. Não me agrada muito mas também não é motivo de interferência no que eu sinto. As orelhas furadas, barrigudinho...  Mas o sorriso ainda existe e o olhar que me deixa sem graça permanece.
Estivemos tão perto... Acordei no meio da noite e fiquei olhando você dormir, ali, há menos de um metro de mim. E não podia tocá-lo, abraça-lo, beijá-lo e demonstrar todo o meu amor por você, toda a minha vontade de cuidar de você, de vê-lo bem. Doeu. Chorei.
Três dias no mesmo espaço físico e mal nos encostamos. Nossos olhos derramavam nosso desejo. Entretanto, o seu discurso não mudou, sua vida não se alterou, sua covardia está intacta, assim como o meu amor e as lembranças dos nossos deliciosos momentos.
Você falou para outra pessoa que me ama e que não estarmos juntos é culpa sua. Será que disse mesmo? E o que isso me causa de positivo, se eu estou aqui e você aí, com ela, desse jeito infeliz?
Passei dias chorando, arrependida por não tê-lo acordado e dado um longo e saboroso beijo, pois sei que você negaria porque era também a sua vontade. Talvez tenha sido melhor não ter agido. Não sei.
Veio o Ano Novo e eu pensei que passaríamos juntos novamente. Por razões desconhecidas (não 100% desconhecidas) não foi o que aconteceu. E foi melhor assim. Creio que eu não resistiria. Não sei o que poderia acontecer.
O fato é que um novo ano chegou, meu primo faleceu e a ideia de procura-lo para mais uma conversa me ronda. Agora com menos força, mas vez e outra penso em convidá-lo para bebermos chope de vinho e conversarmos.
De fato, eu o amo e tenho plena certeza de que assim será até o fim dos meus dias.
O foco continua o mesmo: cuidar de tudo que meu filho necessita, concluir a graduação da melhor forma possível diante de tantas dificuldades, iniciar um curso de língua estrangeira e tentar o mestrado, ou antes uma especialização em língua portuguesa. Entrementes, a nossa história permanecerá envolvida nisso tudo por fazer parte da minha vida. Lembro-me de você dizendo que torce por meu sucesso...
Fiquei atordoada com a nossa proximidade em dezembro/13. E toda aquela vontade de sacudi-lo e dizer-lhe para ficar comigo se fez presente com força. Porém, diminuiu. E vi que você está levando sua vida do jeito que dá. E às vezes sinto que realmente não há espaço para mim e meu filho.
Continuarei aqui, do mesmo jeito. Rezando por você e sua filha. Pedindo a Deus para não desistir de você. E para me fortalecer e abençoar também.
Como dizia meu primo tão amado: “É vida que segue.”.

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