Você está diferente, ainda
que só externamente. Não me agrada muito mas também não é motivo de
interferência no que eu sinto. As orelhas furadas, barrigudinho... Mas o sorriso ainda existe e o olhar que me
deixa sem graça permanece.
Estivemos tão perto... Acordei
no meio da noite e fiquei olhando você dormir, ali, há menos de um metro de
mim. E não podia tocá-lo, abraça-lo, beijá-lo e demonstrar todo o meu amor por
você, toda a minha vontade de cuidar de você, de vê-lo bem. Doeu. Chorei.
Três dias no mesmo espaço
físico e mal nos encostamos. Nossos olhos derramavam nosso desejo. Entretanto,
o seu discurso não mudou, sua vida não se alterou, sua covardia está intacta,
assim como o meu amor e as lembranças dos nossos deliciosos momentos.
Você falou para outra pessoa
que me ama e que não estarmos juntos é culpa sua. Será que disse mesmo? E o que
isso me causa de positivo, se eu estou aqui e você aí, com ela, desse jeito
infeliz?
Passei dias chorando,
arrependida por não tê-lo acordado e dado um longo e saboroso beijo, pois sei
que você negaria porque era também a sua vontade. Talvez tenha sido melhor não
ter agido. Não sei.
Veio o Ano Novo e eu pensei que
passaríamos juntos novamente. Por razões desconhecidas (não 100% desconhecidas)
não foi o que aconteceu. E foi melhor assim. Creio que eu não resistiria. Não
sei o que poderia acontecer.
O fato é que um novo ano
chegou, meu primo faleceu e a ideia de procura-lo para mais uma conversa me
ronda. Agora com menos força, mas vez e outra penso em convidá-lo para bebermos
chope de vinho e conversarmos.
De fato, eu o amo e tenho
plena certeza de que assim será até o fim dos meus dias.
O foco continua o mesmo:
cuidar de tudo que meu filho necessita, concluir a graduação da melhor forma
possível diante de tantas dificuldades, iniciar um curso de língua estrangeira
e tentar o mestrado, ou antes uma especialização em língua portuguesa. Entrementes, a
nossa história permanecerá envolvida nisso tudo por fazer parte da minha vida.
Lembro-me de você dizendo que torce por meu sucesso...
Fiquei atordoada com a nossa
proximidade em dezembro/13. E toda aquela vontade de sacudi-lo e dizer-lhe para
ficar comigo se fez presente com força. Porém, diminuiu. E vi que você está
levando sua vida do jeito que dá. E às vezes sinto que realmente não há espaço
para mim e meu filho.
Continuarei aqui, do mesmo
jeito. Rezando por você e sua filha. Pedindo a Deus para não desistir de você.
E para me fortalecer e abençoar também.
Como dizia meu primo tão
amado: “É vida que segue.”.
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