quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

13 MINUTOS

Ontem foi um dia bastante corrido e estressante como tem sido os últimos. No caminho da faculdade para casa fiquei sufocada por prender um choro cuja razão nem sei ao certo, e que necessitava de liberdade. Ao chegar, corri para o banho, coloquei o som do tablet no máximo volume e comecei a tentar conversar com Deus. Estava tão confusa, tão chateada, tão debilitada física e mentalmente que tenho convicção de que não me fiz compreender.

O banho não foi tão longo quanto eu gostaria ou precisava, mas foi um deleite. Durante exatos 13 minutos fiquei sentada, com a água caindo precisamente sobre minha cabeça e chorando, chorando demais. Naqueles instantes lembrei-me da Xanda e chorei mais ainda de tanta vontade de ouvir o que ela sábia e carinhosamente me diria diante da minha tentativa de desabafo. Lembrei-me também das palavras carinhosas do meu primo-irmão Pablo e de como foi triste e dura a despedida no Cemitério Jardim da Saudade em Sulacap. Refleti sobre trancar a matrícula na universidade por um período e me dedicar quase que integralmente ao meu filho e ao meu trabalho. Pensei nas minhas amigas, nos problemas da minha comadre Marcele e nos bons momentos com meus amigos.

Impressionante e negativo como em poucos ou muitos minutos somos capazes de nos prender quase que completamente ao que está ruim, ao que causa dor e lágrimas de tristeza. Ah, que desperdício!

Tentei retomar o precário diálogo com Deus, mas estava com tanta vergonha por querer jogar a toalha e estar deprimida que desisti.

As músicas tocavam no tablet e algumas mais animadas me levaram de volta a momentos e situações felizes, divertidos, leves de poucos anos atrás.

A vida adulta às vezes é chata demais, com cores sem vida, provoca fortes dores de cabeça e de estômago. Preocupações, estresses, mais erros que acertos, mágoas, distâncias, obrigações, cobranças, impurezas, mazelas... Nossa, que cansaço! Felizes, tremendamente felizes são as crianças inseridas numa família minimamente atenciosa. Graças a Deus é o caso do meu filho. E confesso nos últimos tempos adoraria estar no lugar dele: cercado de amor, cuidados e diversão.

O encontro da água do chuveiro com minhas lágrimas foi intenso e, apesar de tudo que foi citado, me fez bem. É, chorar permite que as palavras sejam poupadas. Palavras estas muitas vezes mal ditas, carregadas de aspereza, sentimento de vingança, impiedosas, egoístas.

O banho acabou. João Pedro chegou da escola e seu sorriso e abraço de saudade dessa mãe emburrada pelos cantos e chorosa todas as noites foram suficientes para fazer-me esquecer das angústias que me acompanham.

Ah, meu filho... meu amado e lindo filho...

 

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