Enquanto o filhote brincava no parquinho eu dava prosseguimento à leitura do livro “Magia e Técnica, Arte e Política” de Walter Benjamin. Eis que num grupo de adolescentes escuto a seguinte construção: - O quê que tem ser “piranha”? Eu sou “piranha” mesmo, você não é? Creio que eu tenha deixado até de respirar por alguns segundos após ouvir essas orações saindo da boca de uma linda menina, linda mesmo de apenas doze anos de idade. A faixa etária do grupo era essa. Em seguida elas foram caminhar na praça para exibirem suas micro-roupas.
A reflexão foi profunda. Fechei o livro e olhei para o meu filho e seus novos amiguinhos correndo, felizes, ingênuos, despreocupados, dotados de uma pureza que parece ser roubada cada vez mais precocemente. Fiquei bastante triste e preocupada. Lembrei-me dos meus primos adolescentes e fiquei tentando imaginar o que eles pensam, fazem ou tem vontade de fazer.
O que será que aquela jovem entende por "piranha"? Uma menina que “pega” vários rapazes? Que usa roupas vulgares, maqueia-se e mostra para as outras o que ela consegue com seu corpo? Em qual ambiente ela vive? O que ela escuta na escola? Quais lugares ela frequenta? Seus pais têm conhecimento do que permeia a mente dessa jovem?
Como frear essa super banalização de tudo? Como fazer nossos jovens depreenderem os valores que nossos pais e familiares nos transmitiram? De que maneira podemos ficar mais atentos e afastá-los de toda esta corrupção sexual, se possível for? Como provar que a televisão e a mídia em geral não são detentores das verdades que regem nossas vidas?
Subi apavorada. Desabafei com minha mãe, que na hora derramou uma tímida e desesperadora lágrima – ela certamente pensou nos seus sobrinhos.
Pode parecer simples, normal. Pode fazer parte do mundo de hoje. Mas não está escrito em lugar algum que tenho de me conformar com isso e mesmo que estivesse não concordaria. Não tenho de adaptar-me a esta possível moda. Espanto-me mesmo! Lembro-me das minhas crianças – hoje adolescentes – da Igreja. Ao longo dos seis anos em que estivemos juntos na Pastoral dos Coroinhas, conversávamos sobre tudo, coisas que ele não tinham coragem de falar em casa. E por quê? Pais ausentes? Sem tempo? Desatentos? Retrógrados? O que explica um filho não se sentir à vontade para conversar com os pais?
Tive uma convivência muito estreita com meu pai durante a minha adolescência e foi bastante significativa. Não entendia quando aconteciam certas coisas que tanto para ele como para mim eram normais, e as pessoas ficavam verdadeiramente chocadas. Em 2001, passamos todo o mês de janeiro juntos. Foi sensacional! Duas semanas em Maceió, onde ele não queria deixar-me ir a um restaurante chamado “Zona”. Na ocasião os integrantes do grupo de excursão o chamaram de bôbo, diziam não ter nada demais eu ir etc. Mas ele só permitiu depois que o guia explicou como era o ambiente e no final meu pai foi junto comigo e divertimo-nos muito. Cinco dias em Cabo Frio , onde as pessoas nos olhavam e pensavam que éramos namorados porque só andávamos de mãos dadas. Cinco dias na Região dos Lagos, particularmente em Itaúna. Desta vez meu irmão nos acompanhou. E foi neste local que se deu o que realmente interessa para este texto. Num dos dias, estava na varanda da casa ouvindo música e batendo papo com as famílias e amigos dos donos da casa. Conversávamos sobre os mais diversos assuntos, inclusive namoro na adolescência. Ao ir ao banheiro vi que tinha ficado menstruada. Discretamente pedi ao meu pai que fosse à farmácia comprar absorvente. Só que uma das amigas escutou. Ela ficou tão indignada que me chamou num canto para saber como eu não tinha vergonha de falar sobre isso com meu pai, aí aproveitou para dizer que nunca tinha visto uma relação como a nossa. Na época ela era casada e tinha um filho pequeno.
Meus pais são separados há vinte anos e cresci com a certeza de que ambos são meus verdadeiros amigos para tudo. Graças a Deus sempre pude recorrer a essa amizade. Por isso não entendia a surpresa das pessoas quando eu contava que fui primeiro até meu pai para contar que estava envolvendo-me com um homem de quarenta e seis anos e eu com vinte. Que também ele foi o primeiro a saber da minha gravidez. Que foi com ele que me abri sobre o meu primeiro e provavelmente único amor. E que conversei com minha mãe e com meu pai tantos outros assuntos que os filhos têm um verdadeiro bloqueio com seus pais.
É por tudo isso que peço a Deus discernimento e sabedoria para criar meu filho e também para acompanhar a vida dos meus afilhados. E a Nossa Senhora, peço a paciência e a sensatez que teve com seu Filho, Jesus Cristo.
"Nossa Senhora, me dê a mão,
ResponderExcluirCuida do meu coração,
Da minha vida,
Do meu destino,
Do meu caminho.
Cuida de mim..."
PERFEITO!
ResponderExcluirSomente através da intercessão dela, creio que terei mais respostas!
OBRIGADA, MUITO OBRIGADA!
Nossa! Que tarefa difícil essa de ser pai e mãe, não é? São tantos perigos, tantas loucuras às quais nossos queridos filhos estão expostos. Quisera podermos embalá-los e guardá-los de todas as coisas ruins! Sim! O mundo anda muito errado, apressado e complicado! E nossas crianças? Tão perdidas... O que podemos fazer? A resposta pra mim é: orientá-las e amá-las incondicionalmente! Dizer a elas o quanto as amamos e o quanto são importantes pra nós! Dizer a elas que os perigos existem e que temos de lutar diariamente pra sermos justos, honestos conosco e com os outros. Ensiná-las o caminho do bem. E dá certo! Os resultados, às vezes, demoram a aparecer, mas aparecem! Veja o seu caso. Você teve um pai e uma mãe maravilhosos e, tenho certeza disso, seguirá o exemplo deles com seu Brigadeiro. Criará seu filho com o mesmo carinho com o qual foi criada. O amor é multiplicativo, não é? Senti pena dessas meninas descritas no seu texto... Muita pena... Assim como sinto pena de casos horrendos que acontecem com crianças por aí afora. Falta a presença do pai e da mãe. E não só a presença! Falta amor pra nunca desistir dos filhos, pra não deixá-los submergir nesse mundo horrendo! Lamento por essas crianças...
ResponderExcluirAna Peixoto
Agora você entende, Ana, o porquê da sua experiência materna ser tão importante na minha vida?!
ResponderExcluirMuito obrigada pela colaboração extremamente relevante!