quarta-feira, 26 de setembro de 2012

FINAL

Sim, deveria ser o encerramento, mas não, trata-se meramente de uma pausa. São fases ou ciclos viciosos? Dizem que tudo na vida tem início, meio e fim; introdução, desenvolvimento e conclusão, como aprende-se (ou tenta-se aprender) nas aulas de redação.

Às vezes, parece que seria melhor se, de início, fosse possível observar que aquela pessoa ou situação causaria dor, frustração, trauma. Entretanto, poderia impedir que reflexões fossem feitas, depreensões se realizassem, proximidade do equilíbrio fosse atingida.

O caminho do intervalo, antecedido pela continuação, seguindo para o fim, é duro, requer concessões, abandono de hábitos, abertura às mudanças, disposição para novidades, desarmar-se.  Não há percursos pouco conhecidos para reduzir este trajeto; é preciso ter coragem e bom senso para atravessá-lo.

Basta de lamentações, representações, mesquinharias, idealizações, perda de tempo com artificialidades! Chega de ficar tentando entender o porquê de algumas atitudes pretéritas dos outros, de sofrer, permanentemente, por algo que não se repetirá ou pelo amor de uma relação, entre homem e mulher, que não voltará.

Afirmam que tudo muda o tempo todo, e deve ser verdade. Então, por que insistir em viver numa roda nem sempre gigante? A todo instante, amiúdam-se atos sabidos negativos, que nada acrescentam de benéfico.

Prefere-se a acomodação das lacunas ao empenho necessário para chegar-se ao final. É comum escolher o mais fácil; há pressa, desassossego, ansiedade. Fazer outra opção em que seja indeclinável abdicar, desfazer, recomeçar pela esquerda ao invés da direita ou por baixo em vez de por cima é penoso aos olhos da humanidade.

Arremata-se que repousos sobrepõem-se aos desenlaces, o que, inúmeras vezes, pode ser lastimável; indelevelmente, as vírgulas em detrimento dos pontos finais.



SOMOS QUEM PODEMOS SER

Composição: Humberto Gessinger / Paulinho Galvão






Dormi e acordei com essa música permeando minha mente...

"... os ventos às vezes erram a direção"

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

OPÇÕES: MOSTRAR OU OCULTAR

Não, realmente não é necessário enganar, fingir, tripudiar e/ou ser indiferente; não com que esteve ao lado - independentemente da duração -, exteriorizando todo o amor, o prazer de ser e fazer companhia.

Cabe falsídia no amor? Refere-se, aqui, àquele amor-cúmplice, amor-respeito, amor-cuidado. E então, é possível combinar desprezo com solicitude? Por quanto tempo consegue-se usar máscara?

Há ensejos em que um olhar divulga, milimetricamente, o que é sentido e pensado. Não obstante, as palavras têm a característica de verbalizar, com segurança, sentimentos e conjecturas, e também são capazes de manifestar aquilo que se deseja que o outro perceba, enxergue, sinta.

Uma vez que se possa entrever e exprimir, verdadeiramente, o que há dentro, por que encenar falsas ou meias verdades para outrem? Seja no amor-amigo ou no amor-amor, o mais coerente é manter-se unido À própria essência; ser o que é, sempre observando os riscos e arrostando as consequências.

Chega de astúcia! É chegada mais uma ocasião para abandonar-se o desejo de tomar posse da (s) pessoa (s), de dominar a relação ou situação! É dada mais uma oportunidade para mudar de lado e aliar-se ao respeito, à amizade, ao carinho.

Pode ser que uma ou cem pessoas acredite e afirme conseguir manter a anteface, ser uma pessoa dispare em cada local, porém, se faz necessário assumir que é desgraçada, que não tem momentos de paz.

Também é pertinente dizer que a todo instante a vida mostra a obrigação de fazer escolhas. Alternativas são apresentadas – dificilmente mais de duas. Ora escolhe-se com propriedade ora por desespero. Às vezes com a razão às vezes com a emoção. No entanto, a escolha tem de ser realizada.

Já que o amor existe e a amizade também é mais acertado ponderar, ceder, regar, depreender, dialogar e conviver com as mazelas e as imperfeições, sem optar por esconder-se, mascarar-se.


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

CONTRADIÇÃO HUMANA

Como é possível amar Deus, respeitá-lo, acreditar nEle, temer-lhe e, ainda assim, sentir raiva, vontade de desistir das pessoas, descrer na transformação, no melhor da humanidade?

Continuar manuseando o bem e o mal que há em mim ou perdurar na ilusão da esperança em ser mais otimista, confiante? Será mesmo uma quimera?

Acreditar que dentro de mim – ser ínfimo – há uma reles proximidade da maternidade de Maria ou conviver com minha limitação humana de ser mãe?

Onde buscar o fogo necessário para reacender a chama que me asseverava a existência do amor, do respeito e da lealdade entre um homem e uma mulher?

Para que acreditar na misericórdia divina, crer no poder curador de Jesus, divulgar a intercessão de Nossa Senhora e continuar com medo, frágil? Trata-se de mais uma contradição? Lamentavelmente sim.

Quase sem respostas, circundada de dúvidas hiperbólicas, pensando, sentindo e dizendo cousas opostas, e repetindo diariamente: “vida que segue!”

MINHA INICIANTE PREFERIDA

Riobaldo

Jagunço valente, guerreiro!

Medo de nada não tinha...
Fez andanças pelos sertões do Brasil, cavalgou, caçou, matou...
Até pacto com o Demo fez!
Vingança na alma cravada tinha e a perseguiu até o fim.
Ambição de chefiar; chefiou!
Quis ganhar a guerra; e ganhou!
E de nada lhe valeu tantos impérios e famas!
Pois, ao perder o que mais valioso possuía,
sua alma desmaiou,
sua vida perdeu a cor,
seu coração emudeceu e doeu e morreu...
E provou que o bem mais precioso que temos na vida
é o amor!




Ana Peixoto

terça-feira, 11 de setembro de 2012

AMOR INFÉRTIL

Falam do amor como se ele fosse uma coisa (troço), um objeto à venda cujo valor é possível definir. Referem-se a ele de maneira artificial, declarando ser possível transferi-lo ao julgar-se necessário ou aniquilá-lo a qualquer instante.

Será possível medir um sentimento? Faz-se realmente necessário provar à pessoa amada o que se sente? Como? Por quê? Para quê?

Amor maternal, paternal, fraternal, amor-amigo, tudo é amor. Sentimento que produz amor, através de respeito e sinceridade. Nele estão contidos: carinho, cuidado, entrega, compreensão, mansidão, amizade, paciência, confiança, dedicação.

Jesus Cristo fala de amor. Renato Russo, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Clarice Lispector também falaram do amor. Padre Fábio de Melo, Chico Buarque, Djavan, Martha Medeiros falam no amor. Por que não podemos falar e fazer o amor em profundidade?

A tevê, a internet, as revistas transmitem um amor que não sabia que existia: amor infértil. Sim, é estéril mesmo. Não é capaz de produzir benefícios como enriquecimento espiritual, inteligência, responsabilidade, zelo, sensibilidade, afeto. O amor da mídia, deste mundo repleto de egoísmo, só expõe violência, desrespeito, dor.

Desde a criança – inocente – que pensa que o negro é uma pessoa suja por causa da cor da pele, passando pelos homens e mulheres que enganam seus companheiros, até a mulher que pari, coloca o recém-nascido em uma sacola plástica e o abandona em uma caçamba de lixo, a fim de que ele pereça. Aí está a infertilidade.

Ainda assim, mesmo diante de toda crueldade e hipocrisia presente entre nós, constante em nós, ainda assim não permaneço crendo no amor que brota da alma e chega ao outro pelo olhar.

Somos sim capazes de amar nossos filhos, familiares, amigos e companheiros, de forma que eles sintam e vejam nosso amor nas palavras e atitudes.

UM LAPSO

É difícil ser um menino de oito anos. Faço e penso troços que as crianças da minha idade também fazem e pensam. Entretanto, não tenho pais, elas têm.

Um casal possuía uma relação prejudicial para ambos e para os que o cercavam. Ela saíra de casa após inúmeros conflitos com seus pais. Em certa ocasião, transaram e ela engravidou de mim. Não se cuidou; não me queria, não me quer. Bebeu bebida alcoólica em excesso no decorrer da gestação e, no sexto mês, teve rubéola.

Voltou a morar com meus avós e eu nasci. Ficamos todos morando juntos um tempo – pouco – e ela novamente se foi; deixou-me. Muitas brigas, ofensas e constrangimentos ocorreram e, judicialmente, minha avó conseguiu autorização para me criar.

Amo demais meus avós, meus tios, mas sinto falta dos meus genitores. Dói sobremaneira conviver com essa lacuna, essa ausência. Às vezes penso que deveria pedir a presença e o amor deles...

Comparecem aos meus aniversários, dia das mães e festas nas escolas – já mudei algumas vezes. Ela me visita algumas vezes no mês. Ele só vem quando alguém lhe tira o sossego insistindo para visitar-me. Ambos me aturam, fingem amar-me, fazem tudo relacionado a mim obrigatoriamente.

Falo de amor, carinho, zelo, orgulho por ter-me como filho. Esse relato não posso dar. Ora sinto esperança, ora me sinto egoísta por não ficar satisfeito com meus avós e tios.

Faço acompanhamento psicológico, pratico esportes e frequento aulas particulares, nada liquida a omissão daqueles que me geraram. Sofro bastante por não saber lidar com minhas angústias, por ter de vestir a camisa de que sou rejeitado por quem não merece – mas tem – meu amor de filho.

Eles não viverem juntos, ou eu não viver com um deles, já não me causa dor; tenho amigos que têm pais separados. Já me conformei em não possuir uma relação estreita com meus irmãos. Só quero aprender a conviver com a falta de carinho e de proteção.

Tenho medo de ficar completamente só. Meus avós já têm mais de sessenta anos, meu tio não cuida de si, meus tios terão seu primeiro bebê no próximo mês.

Sou filho do descuido.




domingo, 9 de setembro de 2012

REALIDADE

Ela está ali, cheia de vontade de beijar sua boca e passar a língua no seu pescoço. Será o seu? Logo o seu? Naquele instante acredita serem um só corpo. Desejo... Fogo... Paixão... Lembrança... E o orgasmo...

Poderia ser qualquer um, mas ela não é dessas. Deseja o conhecido. Quer repetir; sentir toda aquela delícia novamente. Até pensa em novidade, no entanto nada encontra. Não surgiu ainda quem a fizesse delirar e esquecer-se do mundo além daquelas quatro paredes. Então, conclui que só ele é capaz de satisfazê-la. Errada? Talvez, embora ninguém a convença.

Dias... Noites... Memória... Será adequado procurar? Será sensato revelar sua vontade? Prazer e sensatez combinam? O que fazer?

Sozinha. Quase sempre é isso: o corpo, a pele, o ser humano. Certo? Errado? Chega! Por que rotular? Quem disse que tudo tem respostas, explicações, porquês? Verdades? Mentiras? Não importa! Quer, sente e assim é! Assim tem sido!

Idade? Experiência? Ah! Tempo perdido! Para ela o que importa é deitar-se, fechar os olhos e sentir o que deseja! Não há receitas. Ninguém ensina. O tempo passa e a vontade é proporcional.

Homem, mulher, história, corpo, ser humano, tudo concorre para o de novo, para o fazer sem sofrer, sem magoar, sem prometer; apenas fazer, sentir, gozar, satisfazer. É isso! É muito? É feio? Quem disse? Onde está escrito?

Adultos, sensatos, conscientes, é suficiente.

Coragem. Parece até que um crime será cometido. Ela quer apenas corpo a corpo, respiração ofegante, suor. Natural, normal - como dizem -, não dá para ser indiferente o tempo todo. Não é saudável fingir.

Segue solitária, tentando conformar-se apenas com o desejo, a vontade, o tesão não saciado. Sonha acordada e permanece esperando. Aguarda o dia em que a hipocrisia e o medo perderão força para o desejo e o momento, ou para o dia que surgirá outrem que lhe surpreenda!


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

SEM TÍTULO [2]

Estava produzindo, mas suas palavras interrompem-me a todo instante... Que vontade de pegá-lo no colo e dizer-lhe o quão importante é, e que com meu abraço pode contar... Desisti! Quem sabe amanhã não consigo prosseguir de onde parei?

Só queria que soubesse, mais ainda, gostaria que sentisse a sinceridade do meu carinho e amizade...

As palavras mais auxiliam que dificultam, no entanto, nesse momento, mais transparente seria uma atitude, não a atitude de escrever mas a de olhar nos seus olhos e garantir-lhe que Deus está no controle. Não há melhor indicação que Ele para cuidar de você e sanar sua dor; esta dor de não poder fazer o que ama e visitar, em casa, aquele com quem você trabalhou na oficina.

A Virgem Maria interecederá por minhas orações e por sua vida! E Jesus, certamente, atenderá os pedidos da Mãe!



domingo, 2 de setembro de 2012

TEMPO

Para que serve?
Por que o Criador o fez?
É bom? Ruim?
Amigo? Inimigo?

Ora acalma,
ora perturba.
Mostra quem somos.
Traz a verdade.

Transmite sabedoria.
Causa ansiedade.
Aumenta a saudade.
Alivia a dor.
Fortalece o amor.

Faz-nos fortes,
e também frágeis.
Provoca reflexão
e maturidade.

Então, serve para marcar
nossa história.
E foi criado para afirmar
quem é o sábio dos sábios.
É bom! É amigo!

Ah! O tempo...