Falam do amor como se ele fosse uma coisa (troço), um objeto à venda cujo valor é possível definir. Referem-se a ele de maneira artificial, declarando ser possível transferi-lo ao julgar-se necessário ou aniquilá-lo a qualquer instante.
Será possível medir um sentimento? Faz-se realmente necessário provar à pessoa amada o que se sente? Como? Por quê? Para quê?
Amor maternal, paternal, fraternal, amor-amigo, tudo é amor. Sentimento que produz amor, através de respeito e sinceridade. Nele estão contidos: carinho, cuidado, entrega, compreensão, mansidão, amizade, paciência, confiança, dedicação.
Jesus Cristo fala de amor. Renato Russo, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Clarice Lispector também falaram do amor. Padre Fábio de Melo, Chico Buarque, Djavan, Martha Medeiros falam no amor. Por que não podemos falar e fazer o amor em profundidade?
A tevê, a internet, as revistas transmitem um amor que não sabia que existia: amor infértil. Sim, é estéril mesmo. Não é capaz de produzir benefícios como enriquecimento espiritual, inteligência, responsabilidade, zelo, sensibilidade, afeto. O amor da mídia, deste mundo repleto de egoísmo, só expõe violência, desrespeito, dor.
Desde a criança – inocente – que pensa que o negro é uma pessoa suja por causa da cor da pele, passando pelos homens e mulheres que enganam seus companheiros, até a mulher que pari, coloca o recém-nascido em uma sacola plástica e o abandona em uma caçamba de lixo, a fim de que ele pereça. Aí está a infertilidade.
Ainda assim, mesmo diante de toda crueldade e hipocrisia presente entre nós, constante em nós, ainda assim não permaneço crendo no amor que brota da alma e chega ao outro pelo olhar.
Somos sim capazes de amar nossos filhos, familiares, amigos e companheiros, de forma que eles sintam e vejam nosso amor nas palavras e atitudes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário