sábado, 22 de dezembro de 2012

A PARTIR DE 01H48

Se fosse somente a puta dor no joelho, a decepção comigo mesma quando o assunto é força de vontade, ou calor, tudo bem. Mas não, não são apenas essas coisas que se apropriaram do meu sono. Há muito mais; é noutro lugar. Local das angústias, saudades, preocupações, ansiedades e desejos.


Fernando fala em “expulsar demônios”. Serão esses os meus demônios? Serão estas lágrimas que agora rolam rosto abaixo? Afinal, por que choro nesta hora? Não sei. Não é mentira. Então tá. É uma mescla.


Não foi à 01h48 que tudo começou. Há anos sinto algumas dessas coisas. Pedaços antigos da minha vida que ainda não sei lidar. Capítulos que por razões diversas não concluí. Por que sou tão fraca?


Diariamente, Jesus me dá uma folha em branco, uma camisa vazia, e eu o que faço? Desperdiço. Tudo já foi detectado, ainda que de maneira insatisfatória. No entanto, já se possui o bastante para modificar, fazer diferente, para resgatar. E por que não saio da identificação e parto para a atitude? Será por isso minhas lágrimas?


Reclamo quando o computador trava. E eu, que também travo? Será que alguém reclama de mim? Não é o que me importa, o que verdadeiramente me abala. O relevante é destravar, escolher logo o caminho, haja vista as oportunidades que já foram perdidas.


Hoje perguntei o que um amigo quer para a vida dele. Que ousadia! Será que realmente sei o que quero para a minha vida? Se já sei, a situação é ainda mais grave, levando-se em consideração o fato de não buscar.


Inúmeras vezes meu pai conversou comigo sobre caminhos, escolhas, consequências, metas, tempo, oportunidades. Seus argumentos sempre foram carregados de muita propriedade; seu discurso sempre convincente; a semântica completa. Assumo ter compreendido. Sim, racionalmente tudo ficou claro. Então por que sofro tanto por ter sempre de escolher? Por algumas vezes ter ciência da consequência? Por saber que não é possível proferir outras palavras, de outro modo, fazer outras coisas, de outro jeito em situações pretéritas?  Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.


02h11. Não. O calor nada tem a ver com o fato de ainda estar acordada. São todos esses incômodos... O que será que meus amigos estão fazendo agora? O que estaria fazendo se tivesse namorado ou se já casada fosse? E se já estivesse formada no curso de Letras?


Música. Ventilador ligado. Dor. Suor. Lembranças. Lágrimas. Tudo aqui entre as paredes que dão forma ao meu quarto. Paro e tento pensar, mas pensar em quê?


Não é o clima de fim de ano ou do mundo. Isso está aqui o ano inteiro, quase a vida toda. Será preciso me libertar? De quê? De quem? Como? Sozinha?


Gosto tanto de Deus... Creio tanto na sua existência... Confio tanto no seu poder... Então por que razão, na minha vida, o inadequado vence mais? Por que a estagnação é mais forte?


Mais de vinte pontos de interrogação sem respostas. Para quê tantas perguntas? É realmente necessário sempre saber as respostas?


02h23. Tocando “Vento no litoral” na JB FM e eu desabando – de novo. (...) Que a vida continua e se entregar é uma bobagem (...).

R. Russo achou cavalos marinhos, o que eu quero encontrar?





2 comentários:

  1. É preciso aceitar o fato de que nem sempre há respostas.

    Bjs e Feliz Natal!

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  2. É o mais difícil para mim...

    Beijos e Feliz Natal para você também, querido!

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