quarta-feira, 15 de abril de 2020

DAS ANTIGAS


            A noite pretérita não foi um espetáculo, no entanto deu para dormir e é isso que importa: conseguir desligar o cérebro por algumas horas. Adormeci feliz por ter visto, abraçado e beijado meu noivo depois de mais de duas semanas sem nos vermos graças à pandemia da covid-19. Todavia, também fui dormir tensa pois minha amiga Ana estava aflita e distante aguardando o nascimento da primeira neta, Olívia, a qual nasceu hoje de madrugada, linda, saudável e gigante (risos).
            Pela manhã, recordei-me da live do pe. Fábio com a Marcia quando ele falava sobre amizade; uma amizade sadia, sem peso, interesses e cobranças. E aí ele proferiu sobre a relevância bastante significativa de envelhecermos com os mesmos amigos, os antigos. Afirmou que nada nos impede de termos novos apreços, é até positivo, mas que conservar os anteriores têm a ver com a questão de pertença, reencontro, origem, nossas próprias origens.
            Pensei em várias das minhas amigas, mais um pouco em duas  especificamente: Marcele e Ana. Aquela não vejo há meses, falo pouco, somos comadres e algumas outras belas e deleitosas classificações, mas algo mudou entre nós e faz com que não participemos da vida uma da outra como outrora parecia lei para nós. Com esta não falava tanto nos últimos dois anos, embora sempre trocando figurinhas nas redes sociais e a última vez que havíamos nos visto tinha sido no meu aniversário de 2017.
            No início de março, fui de surpresa ao chá de bebê da neta da Ana e foi delicioso sentir que absolutamente nada transmutou entre nós; nossa amizade continua firme sabendo de onde veio e querendo seguir adiante; que sensação maravilhosa! A gente não se fala com tanta frequência quanto à época da faculdade e um pouco depois da graduação, mas a confiança e o bem querer entre nós me parece inabalável e isso é incrível, é um retrato do que disse o pe.
            Não sei se com a Marcele será da mesma forma, creio que sim, até pressinto que sim. Da última vez que nos vimos, foi muito rápido devido às nossas responsabilidades e correria de afazeres do dia a dia, todavia conversamos demais, ela quis saber mais sobre meu namoro, falamos bastante sobre o matrimônio dela, nossa maternidade e relação com nossas mães (como antigamente), e tudo isso me fez um bem danado, provocou-me uma sensação de resgate e conforto. Marcele fez parte de momentos de muita dor e outros de muita alegria da minha vida, fases de insegurança a aprendizado que só ela viveu comigo, ao meu lado, e isso é impagável e inesquecível.
            Meu noivo tem um amigo-irmão, o Pedro, eles são compadres. A amizade deles tem quase o mesmo tempo que a minha com a Marcele; é lindo de ver e saber. Quando Diego terminou comigo (há um texto sobre isso que um dia será publicado aqui), Pedro foi uma das poucas pessoas (por insistência dele) com quem mais conversei da maneira mais sincera que meu coração era capaz. Sempre tão cuidadoso com tudo que eu estava sentindo e pensando, mas também constantemente preocupado com a vida do amigo, com as escolhas dele, com a vida financeira entre outras coisas. Ainda me emociono ao me lembrar das palavras do Pedro. Ele sempre nos recebe muito bem na casa dele ou dos pais, ou em qualquer lugar em que nos encontremos; trata-me com tanto carinho e consideração, tem um carinho enorme e visível por meu filho e eu sei/sinto que isso é real e eterno.
            São essas amizades das antigas que quero para nós (Diego e eu), para nossas vidas, até para fortalecer nosso relacionamento e enriquecer a história que estamos escrevendo nesses quase três anos de namoro (sim, esse mês é nosso aniversário!). Vínculos que têm (e proporcionam gratuitamente) amor, fidelidade, positividade, risadas, partilha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário