quinta-feira, 16 de abril de 2020

POUCA LUMINOSIDADE


              Há um texto do escritor Diego Vinícius em que ele começa dizendo que "tem dias que a gente acorda com menos luz, o mundo inteiro dói (...)" e foi exatamente assim que amanheci hoje: no escuro e com bastante dor.
            Creio que existam tons de escuridão além daqueles que podem ser intencionais quando se fecha a cortina do quarto durante o dia para cochilar. Há também falta de luz que independe de nós, que não nos pede licença, que invade nossa mente, coração e espírito...
             A negridão que me atingiu ao longo dessa quinta-feira (dia de tbt inclusive) estava carregada de péssimas lembranças e muitos medos. Memórias que me provocaram e provocam tristeza, aflição, dissabor e medos os quais descompassaram meus batimentos cardíacos e então eu chorei (e muito). E que louco é prantear por algo incerto, algo que não sabemos se de fato acontecerá e/ou como ocorrerá.
            Lacrimei por receio de vivenciar de novo, quando de fato a pandemia do novo coronavírus tiver sido exterminada, situações em que me senti menosprezada, desvalorizada, desimportante por alguém especial para mim. Esse medo tem origem válida, real pois há meses houve ocasiões nas quais ficou nítido que eu não deveria ter ido aqueles lugares, ter querido estar perto quando na verdade me queria longe.
            O dia hoje ficou tão cinzento e, posteriormente, fosco, obscuro que mantive-me offline nas redes sociais a fim de minimizar meu sofrimento ou ao menos vivê-lo solitária, sem ter de ficar tentando explicar o porquê de estar desalegre, chorosa... Não queria tomar banho e mal comi, sem ânimo, nem brinquei ou estudei com meu filho que me perguntou por que passei o dia dormindo no escuro.
            Esta semana falei para uma pessoa querida com indicativos de depressão devido a tudo que a quarentena tirou dela no que diz respeito a planos e sonhos para parar de cobrar-se tanto estar sempre alegria e emanando coisa boa para as pessoas porque temos o direito de vivenciar dias ruins, maus dias em nossa vida.
            Hoje amanheci chovendo, como certa vez escreveu minha saudosa amiga Alexandra de Moraes. Quero amanhã, no entanto, despertar mais otimista, com uma fé maior de que os tempos serão outros, com a esperança de que teremos amadurecido e lidaremos de outra maneira (indolor) com as situações que se apresentarem a nós.
            Diego Vinícius continua seu texto "(...) mas não desista de você, logo o sol volta a brilhar dentro da tua alma, fique em paz e não esqueça: 'engole teu choro e se ama por dentro'." É o que eu quero: voltar a brilhar por dentro, ao chegar da aurora, a ponto de refletir no meu exterior e iluminar meu dia, minha vida. Chega de pouca luminosidade; sou solar!


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