Passaram-se 48 horas. Dia, noite... E no decorrer desse
tempo cronológico, Deus achou oportuno se manifestar mais uma vez na minha
vida. Fiquei quieta, silenciei, isolei-me e permaneci atenta a qualquer possível
sinal divino. Essas horas foram suficientes para aproximar-me mais de Jesus e
com a ajuda dEle, encontrar os resultados das equações que permeavam minha mente
e sufocavam meu coração.
2.880 minutos me possibilitaram coisas práticas como levar
meu filho ao pediatra, ir ao oftalmologista, participar de uma conferência na
ABL (Academia Brasileira de Letras), acabar com a tpm, comer batata frita com
queijo com minha amiga-irmã Gigi na Praça XV, dançar muito, rir bastante e
beber a melhor caipivodka da minha vida com minha friend Caren e minha prima
Kinda também na Praça XV, ler várias coisas, brincar com meu filho em demasia,
receber uma boa notícia, ganhar presentes, conhecer gente nova, sentir-me
melhor, escrever e dormir à tarde.
172.800 segundos foram crucias para descobrir-me ainda mais
e deixar de lado aquelas coisas que me provocam dor, que me tiram o sono, que
diminuem meu sorriso, que me tiram a vontade de fazer coisas simples...
Ora o tempo caminhava ora corria e o mais importante era
respeitar o tempo de Deus. Fácil? Não. Entretanto, necessário. Tudo foi
clareando, ficando etéreo. Parece que Deus estava realizando um arcabouço para
que eu descobrisse outros lugares dentro de mim, novos campos e estradas. Que
bonito! Volta e meia a tristeza e as dolorosas lembranças se faziam presentes,
mas até elas cooperaram nesta intensa e imensa reflexão.
Pensei tantas coisas, sonhei tantas outras, decidi algumas
outras e enxerguei minha parcela de erro em algumas situações. Deixei de agir
por pensar que o outro era quem devesse tomar uma atitude, mas não, era a minha
vez. Logo eu que tanto reclamo da falta de atitude das pessoas. Era eu quem
tinha de procurar, buscar e fazer acontecer. É, nem sempre é o outro, também nós,
devemos descruzar os braços, levantar-nos e colocar em prática o que sabemos
bem na teoria. É bastante cômodo ficar chateado e tratar rapidamente de responsabilizar
alguém por nossas angústias, não é? Assumir qualquer coisa não é tarefa tão fácil
ou tão simples. Reconhecer pode ser sinal de maturidade, penso.
Às vezes é necessário se desligar da tevê, do rádio (o mais
difícil), do computador e ligar-se no nosso interior, na nossa vida. Principalmente
quando nos sentimos sufocados, coagidos, rejeitados; quando só damos créditos
ao que está ruim, fora do lugar, fazendo-nos mal; quando a angústia e a escuridão
tomam conta de tudo em nós. São
nesses momentos que devemos voltar para nós, para Deus e para a leitura. Não é
receita de felicidade, não creio nessa balela, trata-se de um dos vários
caminhos, uma das várias maneiras de melhorar, de aliviar a dor que se instala
no peito sem pedir, sem perguntar se é bem vinda.
Vi amor, alegria, esperança, amizade, união, solidariedade,
força, oração, graças. Mas também vi malquerença, egoísmo, raiva, ciúme, inveja,
falta de fé, ruindade. O tempo todo é assim: o bem e o mal, a vida e a morte, a
leveza e o pesado.
2 dias me deram outros olhares, novos ângulos, mais chances
de tentar ser uma mãe mais sábia, uma filha mais paciente, uma amiga mais
presente, uma estudante mais empenhada, uma pessoa mais saudável, um ser humano
melhor.
Horas, minutos e segundos que me renovaram e
amadureceram-me. Mostraram-me que posso ser melhor, que sou sim capaz de fazer
e conseguir aquelas coisas que algumas pessoas conseguem sempre. Hoje sei mais acerca
das minhas dificuldades e aprendi que dificuldade e impossibilidade não têm o
mesmo significado.
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