sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

MADRUGADA

Meu filho está doente há 3 dias. Nesta hora estamos deitados lado a lado. Ainda que febril ele está dormindo melhor do que nas últimas duas noites. Às 03h51 ele me abraçou e continuou a dormir assim: abraçado a mim como se desta forma se sentisse mais seguro e à vontade. O fato é que ao me abraçar foi ele, João Pedro, minha maior benção, quem me protegeu das maldades do mundo e me confortou numa madrugada em que a insônia mais uma vez me visitou. É mesmo verdade que problemas sequestram nosso sono. Parece um cativeiro onde não posso dormir, lugar em que sou impedida de desligar os olhos e o cérebro.  A dor de cabeça é a manifestação de todos os problemas que me afligem de maneira intensa. No entanto, ele permaneceu abraçado a mim por tempo suficiente para me dar instantes de paz e a oportunidade de reafirmar o nosso amor e companheirismo. Com apenas 4 anos de idade dizem que devo tomar conta dele mas faz tempo que ele também toma conta de mim e me arranca sorrisos quando só quero chorar. Dentro do abraço do meu filho há o que mais preciso: amor, força, confiança e esperança.



14/11/14



quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

MEDO

Medo de dormir
E sonhar
E sofrer 
E perder mais
E chorar de novo

Medo de fechar os olhos
E concluir que foi tudo maldade
Medo de acreditar 
Que em mim não acreditaram

Medo de olhar pra frente
E não ver luz
Medo da inveja 
E do desamor

Que a angústia,
A frustração
E a saudade
Não vençam

O amor é bom
Não quer o mal

Uma prece:
Nunca deixar de amar e ter fé

Um desejo: ser amada
Desejar
Corresponder
Respeitar

Medo do escuro
Medo do homem
Medo do poder
Medo do egoísmo

Medo do fracasso
Do futuro
Do trabalho
Do fim da educação

Medo de viver
Sem músicas, livros,
Canetas e papéis 
E ter de conviver 
somente com a dor e a saudade.




14/11/14

sábado, 18 de outubro de 2014

MEU MOMENTO

"Palavras erradas costumam machucar para o resto da vida, já o silêncio certo pode ser resposta de muitas perguntas..."

Pe. Fábio de Melo

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

PARA SEMPRE

Infelizmente, o amor aconteceu
E ele resiste há anos, a tudo, a todos
E abrange dor
Como é possível?

Não sabia que cabia dor no amor
Sentimento belo, puro, ondeado
Na verdade sei quase nada
acerca do mar, da vida, de mim

Há um certeza, apenas esta:
amo. Amo como se somente isto bastasse
E deveria mesmo ser o suficiente:
amar

Estou um pouco atrasada
A vida está acontecendo diante de meus olhos
E o que tenho feito?
Sofrido. Chorado. E amado.

O para sempre é real
Há sentimentos que duram para sempre
O meu amor é para sempre
e a minha verdade também

Que a dor não seja infinita
Que a saudade não machuque tanto
Que a indiferença acabe
E que eu volte a dormir

Não quero sonhar para sempre
o mesmo sonho
Finjo que esqueço
Entretanto nunca deixo de me lembrar

Para sempre vou amar você
Para sempre...
Para sempre...
Para sempre...







quarta-feira, 24 de setembro de 2014

CONSTATAÇÕES

Às vezes sinto falta de fazer amor, aquele amor que transmite as mais sublimes paz e segurança. Que faz o riso ficar frouxo e provoca um forte medo de perder quem nos proporciona tais sensações. Noutros momentos sinto falta de fazer sexo, aquele que nos faz pingar de suor e emitir gemidos de prazer no mais alto volume. Que deixa a nossa respiração ofegante e não dá vontade de parar. Que combina com vinho ou caipirinha. Que nos faz gargalhar e falar palavras de cunho totalmente erótico. Outras vezes sinto-me muito bem, vejo-me a mais compreensiva das criaturas. É como se ficasse claro que agora não dá, que é gostoso mas que agora não há espaço para estas vivências. Quando a TPM vem intensa, é difícil controlar o desejo, a vontade de estar com um homem entre quatro paredes. Fica quase impossível frear a imaginação (minha imaginação às vezes me surpreende tanto que fico assustada rsrs). Sentir falta, instantes de carência, relembrar bons momentos... fazem parte da vida, não só da vida de uma pessoa solteira, infelizmente. Não deveria escrever esse texto no plural porque não sei se as pessoas sentem o que eu sinto e muito menos como eu sinto, entretanto não devo ser tão diferente assim, embora tenha mudado um pouco. Ouvi muito, li algumas coisas e amadureci. Era esperado ouvir que estava cada vez melhor, causando surpresas ótimas. Divertido isso! No entanto, fazer amor é tão mágico e especial... Fazer amor tem um ritmo mais lento, que envolve calmaria, sem pressa para alcançar orgasmo. Pois o que verdadeiramente importa é estar com quem se ama e sentir-se inteiro, inquebrável. O sexo é acelerado, beira uma atividade física que queima mais caloria quando a velocidade é mais rápida. Pressinto estar certa nos meus pensamentos e não amar de novo. Lembro que quando fazíamos amor eu olhava nos seus olhos, passeava meus dedos no seu rosto, admirando a beleza feita por Deus e que naquele momento era toda minha... A dor é pensar que provavelmente ainda não fui amada...  Sei lá se me apaixonarei mais uma vez. Apaixonar-se é diferente de amar. Sinto mais medo da paixão porque ela realmente acaba e desapegar-se é penoso... Contudo, apaixonar-se é bom, gostoso!... O que fica? O amor. O meu amor fica... O meu amor ainda está aqui...








sexta-feira, 19 de setembro de 2014

ESTÁ CHOVENDO

Amanheci chovendo como a Xanda, a flor, naquele 23 de janeiro de 2013. Corri para o meucadinho.blogspot.com.br e reli algumas belezas que Alexandra nos deixou e alguns dos meus comentários. Foi muito bom e triste retornar a um espaço que não mais pode renovar-se.

É muito ruim amanhecer chovendo. No início era um temporal e agora ainda está garoando. Quando cessará? Como parar essa chuva? Sensação esquisita, angústia, medo do futuro, medo de perder quem amo, medo de errar.

Quando criança, gostava muito de tomar banho de chuva e brincar com os colegas enquanto toda aquela água caía do céu. No entanto, jamais imaginei que pudesse chover dentro de mim... Respiro fundo, fico alguns segundos com os olhos fechados e só me vem uma vontade de chorar sem que eu consigo identificar com exatidão as razões para isso.

Há tantos mistérios na vida... Estamos sujeitos a tantas coisas... E por que ainda insistimos em obter respostas e explicações para tudo? Que chatice! Às vezes é chato viver...

Às vezes queria ter super-poderes... Às vezes penso que seria um perigo. O fato é que algo mudou. Quando? Como? Não sei. Não sei mesmo. Sinto-me frágil, insegura, vulnerável. Isso não é bom. Algo ruim pode acontecer daqui a um minuto.

Há dias em que me sinto numa enorme montanha-russa. O dia é tão instável, cercado de altos e baixos a todo momento. É como ir de 0 a 100, sendo o zero o auge do ruim, do aborrecimento, da tristeza, da dor e o cem o máximo da alegria, do otimismo, da boa-nova de Deus. Ora problemas e más notícias sequenciais, ora novidades alegres e conquistas positivas de maneira inesperada e deleitosa. Às vezes é difícil viver...



quinta-feira, 11 de setembro de 2014

AGRADECIMENTO [2]

Você me fez lembrar do professor Helênio Fonseca de Oliveira que escreveu na minha xerox da dissertação de mestrado do nosso professor Fernando Vieira: "Que bom que alguém me lê!".

Fiquei muito contente ao saber que você me lê! Obrigada! Obrigada também pela referência da bela música!

Volte sempre que quiser!



Para Jéssica Rodrigues






quarta-feira, 10 de setembro de 2014

FLOR

Há dias em que sua ausência é mais intensa... Fico tentando imaginar o que você me diria... Fico tentando conversar com você como converso com meu amigo Jesus. O que você pensa sobre Ele agora que está aí? Estou curiosa! Senti ainda mais saudade das nossas conversas...

Está tudo tão diferente e difícil na nossa universidade... Você está acompanhando? Ainda hoje conversava com os colegas sobre quando fui realizar a matrícula: era sonhadora, estava cheia de expectativas e ansiedade. Sentia-me feliz e orgulhosa!... Hoje penso que o curso deveria ser à distância. Nossa, como estou impaciente, sufocada, frustrada!

E sobre o meu filho, o qual você não pôde conhecer. Adoraria conversar com você sobre tudo o que descobri, tudo o que eu e ele estamos vivendo e aprendendo. Tenho certeza de que nossos papos seriam dos mais longos e enriquecedores...

Também queria ver seus olhos admirando meus cabelos. É fato que você diria:

- Cara, você tem que fazer isso sempre! É muito maneiro! Fica linda!

Estou certa?

O último e o atual cabelos me trouxeram você à mente no mesmo instante. Eu disse que voltaria a usar tranças também como uma forma de homenageá-la!

Quando vejo uma mulher parecida com você fico profunda e estranhamente mexida. É como se por um ou no máximo dois segundos fosse possível abraçá-la novamente. Você sabe que eu e Gustavo já conversamos algumas vezes sobre isso.

Sei que você está bem. Não sei dos seus filhos, neto e outros familiares, mas desejo que estejam vivendo bem. Você sabe como estou. Talvez saiba melhor que eu acerca dos meus próprios sentimentos, medos e sonhos.

Fique em paz, minha linda!



para Alexandra



AGRADECIMENTO

É realmente maravilhoso receber demonstrações de amor, carinho, afeto, amizade, consideração através de qualquer meio. Às vezes uma palavra, outras vezes um curto parágrafo, ou ainda vários parágrafos compostos por sentimentos alimentados no decorrer do tempo, por pessoas que se respeitam e que se consideram importantes na vida das outras.

Domingo passado, dia do meu aniversário, muito mais surpreendente que a quantidade de mensagens e ligações positivas que recebi, foi a intensidade de algumas delas. Arrancaram-me lágrimas sem esforço. Transbordaram meu coração de uma alegria e emoção muito maravilhosas, gostosas, e que há bastante tempo não experimentava.

Peço a Deus para que eu faça por merecer tudo de bom que a mim foi dito e desejado domingo, ontem e hoje. É prazeroso saber que cativei e conquistei pessoas que marcaram a minha vida, que me fizeram sorrir, que me apoiaram em determinadas situações, com as quais já me emocionei, chorei, quer de alegria quer de tristeza.

Andava há meses angustiada por verdadeiramente não conseguir estar mais próxima fisicamente dos MEUS AMIGOS. E fortemente angustiada também pelo medo de que eles não acreditassem em mim quando tentava explicar a minha ausência. 2014 tem sido um ano de inúmeras provações e tribulações, e nem sempre dá para explicar, nem sempre quero verbalizar, expor, porque realmente não está fácil viver e dar conta de tantas tarefas que somente eu posso cumprir. Digo a mim mesma, diariamente, que estou tentando plantar bons frutos para o meu futuro e de meu filho, que preciso aceitar a necessidade de abrir mão agora do que me faz bem e é deleite na minha vida, para então desfrutar da sensação do dever cumprido, da consciência em paz, da presença dos meus familiares e amigos, da intensa proximidade com meu filho e participação ainda mais ativa na vida dele.

Talvez eu exagere na cobrança porque realmente sinto falta de ir a Bacaxá, à Brisa, aos bares e comemorações com meus amigos, à Igreja mais vezes. Os cuidados de que o João Pedro precisa semanalmente, as responsabilidades da faculdade e a tremenda carga de trabalho me impedem de realizar o mais simples. O terrível cansaço que a faculdade e o trabalho me causam sequestram, muitas vezes, a vontade de conversar ao telefone, responder mensagens virtuais ou torpedos. Isso é triste, triste demais, preocupante eu diria. Mas é um fato. É o que acontece.

Tudo de lindo e fortalecedor que ouvi e li nesses três últimos dias, portanto, provocaram uma vontade de dar o meu melhor no que é prioridade no momento com a certeza de que as preocupações e insônia de agora findarão, ainda que deem lugar a novas preocupações, pois o homem é um ser preocupado, ansioso, aflito, cheio de confusões.

Espero em Deus alcançar o refrigério de que meu espírito tanto carece e voltar a realizar a manutenção das minhas relações afetivas, das minhas amizades, que até o momento não me viraram as costas.

O texto deveria ser apenas uma tentativa de agradecer a todos que me parabenizaram no dia 7 de setembro ou depois. Entretanto, o agradecimento misturou-se a um desabafo, a uma apertura que urgia ser aliviada há tempos.

Obrigada! Obrigada! Obrigada! Obrigada a todos, mas, principalmente, àqueles que acreditam em mim, nos meus sentimentos, nas minhas palavras!

Que Deus cuide de nós e me conceda, mais uma vez, uma nova chance, agora com 28 anos, de ser um ser humano melhor, mais forte, mais otimista e mais confiante!




09.09.14

terça-feira, 26 de agosto de 2014

SOBRE ESCREVER

http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/08/21/escrevia-para-nao-ficar-doido-diz-ex-morador-de-rua-que-virou-escritor.htm

sábado, 12 de julho de 2014

"SEM PÉ NEM CABEÇA"

Questiono-me por que ainda fico me perguntando a razão de nunca ter tido uma vaga na sua vida como se você um concurso público do magistério. Separou-se da esposa e uma ou duas semanas começou a namorar uma velha conhecida sua. Levei um susto, chorei, procurei fotos, sofri e nada mudou, nada aconteceu.

Esses dias soube que vocês estão muito bem, que sua mãe gosta muito da sua namorada e, ao olhar para a minha vida, ao pensar no V..., veio à mente que nunca houve espaço para mim na sua vida e que há alguns anos não há espaço para você na minha. A vida que você vive não é a que eu quero para mim e meu filho.

As pessoas me olham espantadas quando digo que quero ter uma filha daqui a uns 4 anos, adotiva ou biológica (dificilmente). Não é fácil mesmo ser mãe solteira, não é gostoso, mas tenho me saído melhor que muitos pensaram. O espanto deve ser por eu estar sozinha há tanto tempo, 5 anos.

Mas esse texto "sem pé nem cabeça" é só para dar uma atenção ao meu coração. Tentativa de colocar no universo das palavras o que sinto, o que penso, o que ouço e vejo.

Chamo de amor o que está em mim há quase 13 anos. Um amor puro que guardo involuntariamente, e que não é platônico. Chamo de amor porque me causa sonho, desejo, dor e pranto.

Eu com 27, você com 31... E quando eu estiver com 30 e você 34, como estaremos? Com quem estaremos? Besteira minha pensar nisso... Às vezes penso que nunca mais nos beijaremos, que nunca mais faremos amor, que nunca mais você ouvirá de mim "eu amo muito você".

Até poucas semanas atrás estava certa de que deveria escrever-lhe uma carta com aproximadamente 4 páginas, mas desisti. Vi seu cordão na minha gaveta semana passada e me reportei para aquele 30 de dezembro - horas de amor intenso. Hoje, sem querer, revi no facebook uma foto em que você está com sua mãe e irmãos - sorriso lindo, apaixonante.

Agora me ocorreu que provavelmente nos veremos na próxima quinta-feira, aniversário da sua irmã. Talvez seja a 1ª vez que a veja com ela, pessoalmente, pois já os vi agarradinhos em fotos. Creio que será como sempre: nos cumprimentaremos, você nos apresentará e eu tentarei manter o máximo de distância de vocês, com o coração disparado, gargalhando alto e bebendo cerveja gelada.

É vida que segue.




terça-feira, 8 de julho de 2014

SOBRE A SEMINAFINAL

Não quero ser apresentada a quem dita/diz o que é certo ou errado, bonito ou feio, sinceridade ou hipocrisia, juízo ou idiotice. Quero distância de quem acredita ter sempre razão e que desrespeita o que há no outro, seus sentimentos e preferências.

Emocionar-se assistindo a um filme ou lendo um livro é permitido, é sinal de inteligência e intelectualidade. Emocionar-se vendo futebol é ignorância, maluquice, falta do que fazer, burrice. Ou seja, o mundo do século XXI prega uma sensibilidade que seleciona racionalmente onde pode aflorar, onde é adequado aparecer.

O querido Papa Francisco luta pela cultura do encontro, da aproximação, do respeito mútuo a toda e a qualquer criatura, independente de ocasião. No entanto, dane-se o que esse cara diz, defende, acredita. O homem tem a necessidade de julgar outro homem, ignorando tudo.

Certa vez, conversando aqui em casa sobre os portadores de necessidades especiais, minha sábia avó disse que "a humanidade tem muitas deficiências". Nossa, como ela tem razão! A humanidade é sim egoísta, má, fria, violenta. Lamentável!

Chorei sim! Chorei muito! Gosto muito de futebol e estava torcendo para ver a seleção brasileira de futebol masculino disputando a final da Copa do Mundo 2014. Infelizmente, não foi possível. Infelizmente, todos erraram, comissão técnica e jogadores. Mas ainda bem que são seres humanos e dizem que "errar é humano". Para a minha sorte quem afirma isso não é o mesmo ser que dita os binarismos acima mencionados.

Foi bom assistir a um jogo bonito de se ver que foi o da seleção alemã, pois após o quinto gol contra o Brasil optei por observar e admirar mais atentamente o futebol alemão, o qual deu um show de coletividade e técnica.

É uma pena ver tanta gente criticando ofensivamente àqueles que vibram com o futebol. É uma pena ver tanta gente aplaudindo e elogiando o técnico Felipão e seus jogadores nas vitórias alcançadas ao longo da Copa e os xingando fortemente na dolorosa derrota de hoje. Quem são essas pessoas? Não me interessa. Quero distância.

Os problemas do Brasil não deveriam ser colocados sobre os ombros dos jogadores de futebol ou dos torcedores. A educação está ruim, a saúde está ruim, o transporte está ruim, a segurança está ruim, mas nada disso seria resolvido sem o campeonato mundial. Não haver Copa do Mundo no Brasil nunca foi a solução. Muito dinheiro foi gasto e desviado para a realização desse evento esportivo aqui sim e essa fortuna jamais seria direcionada à educação, à saúde, ao transporte e à segurança.

O povo brasileiro nada. Não é o povo brasileiro que gosta de futebol, que assistiu à semifinal, que chorou pela derrota. O povo brasileiro é gente demais. Muitos brasileiros ainda não têm luz elétrica em casa, como já mostrou o programa Globo Repórter. Cansada e revoltada com a generalização, com a parte pelo todo. Dizem-se tão inteligentes e maduros, no entanto não possuem discernimento e sobram-lhes indiferença e crueldade.

Estar na universidade, em contato com diversos textos, envolvida em discussões críticas, a proximidade com profissionais metidos e estudantes egoístas não me retiram a essência, os gostos anteriores à entrada na academia, a hipersensibilidade, a emoção. Continuo sendo negra gostando de cabelo liso, flamenguista e acreditando em Deus e em Nossa Senhora.

É bom ter um blogue. É realmente melhor que as redes sociais. Lá estão todos os rótulos. Aqui há tentativas de amor, respeito, sentimentos sinceros e muitas sensações. Tentativas porque também falho.

A Copa não me afastou da realidade do país e nem das minhas angústias. A Copa a mim deixará saudades. A maior parte das equipes me causou fortes sensações, nem sempre boas devido à violência em campo. Bom demais ver futebol, futebol de gente grande, com sede de gol, bonitos lances.

As "manifestações" já começaram em Copacabana e a errada sou eu por ficar em casa com meu filho, perdendo tempo em frente à tevê, sem machucar ninguém, sem quebrar nada nas ruas.

Que venha o próximo jogo no sábado, a luta pela terceira colocação! E que sejamos vitoriosos!











quinta-feira, 29 de maio de 2014

PAI ?

Afinal ser pai é o quê? Cabe a quem? Você não é. Ele também não. Que maldade! Quanta dor! Pai é quem faz. Pai é quem cria, ama e participa. Não importa! É difícil ter certeza, afirmar com exatidão. Mas é pertinente a assertiva de que vocês, ah, vocês pais não são. A dor? Esta pertence à mãe que, além de gestar e gerar, ama, cuida, acompanha e orienta, até o momento sem ninguém pra dividir as emoções e as preocupações. A dor do filho também há. Pois ele crescerá e perceberá que não tem pai. Verá que o pai vive mas não se faz ouvir, ver, sentir. Um dia tudo pode mudar. Ou pode ao menos ser explicado e, se possível, compreendido. No entanto, há a possibilidade de tudo permanecer como está. E isso é triste. Mas se outros sobreviveram, eles sobreviverão.

RETORNO

Voltar é preciso.
Voltar a este espaço.
Talvez o único espaço
que a mim pertença.

Voltar a escrever.
Voltar a desabafar
com a ajuda das palavras.

Estas que encantam,
comovem,
magoam,
marcam.

Voltar a acreditar
num futuro bom.
Voltar a sorrir mais que sofrer.

Voltar a viver
e deixar mais distante
os pensamentos noturnos,
angustiantes.

Pensamentos estes
que me roubam o sono
e impedem a paz.

É hora de pegar o primeiro retorno
e retomar a escrita 
e a música.
Recuperar a esperança e a fé.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

CHEGOU A HORA?

Agora você está mais perto, bem mais perto. Parece que de agora em diante não estará mais com ela. Agora está disponível para (re) viver cenas que até então parecia não poder ou querer. Agora está com tempo livre, mais livre do que eu gostaria. Agora veio até a mim, como esperei durante todos esses anos. Mas agora já não sei se isso é bom para a minha vida. Já não sei o que fazer nesta hora.

Não sei o que você tem a me oferecer, a me proporcionar viver e sentir. Não sei o que você sente e quer, além da cama. Não sei seus sonhos e objetivos, seus medos e esperanças. Não sei se há espaço para mim na sua vida. E já não sei qual é o seu lugar na minha vida. Não sei se o culpado de tantas dúvidas é o tempo ou a nossa covardia.

Você chegou de repente. Ok. Eu disse que isso aconteceria e sabia que realmente aconteceria, mas ainda assim a surpresa foi/é inevitável. E pensei que eu soubesse exatamente o quê fazer quando isso se consumasse, mas não sei. Não sei mesmo. Tinha certeza do que eu deveria dizer e do que eu sentiria quando você me procurasse, mas não foi assim. Não é de propósito. Creia. 

Você (re) apareceu num momento em que uma verdadeira avalanche toma conta da minha vida. É o que já mencionei aqui nesse blogue algumas vezes: filho, família, amigos, saúde, faculdade, trabalho. Muita gente e coissa para eu dar conta sozinha. E tem hora que dá pane. Eu falho. E então entendo por que Deus não me permite incluir um namorado, noivo ou marido no meio de tudo isso: eu certamente não daria conta, não seria completa, não daria tudo que sempre achei relevante dar e receber numa relação amorosa de um homem e uma mulher. Estes que por tantas vezes desejei que fôssemos você e eu.  

O fato se deu na sua vida no período em que tenho pensado em outro, desejado outro. Por isso a confusão se instalou em mim, por isso permaneci no campo do riso quando você veio me procurar. Porque eu verdadeiramente não sabia o que fazer, pensar, sentir. 

Sempre falei de amor ao me referir a você, mesmo nos momentos de intensa dor por sua causa, era de amor que eu falava. E agora me pego assim: em dúvida, com medo, imóvel. A oportunidade que esperei por dezessete anos bateu à minha porta e eu não me joguei, não me atirei, como certamente teria feito há alguns meses, não muitos.

Não quero deixá-lo esperando por esperar e nem dar-lhe falsas esperanças. Vingança não combina comigo, não tem valor para mim. No entanto, confesso que não quero me precipitar. Não dá mais para sofrer por causa da gente. Tem de haver um limite. Só que não consigo me desligar dos aspectos negativos, que são inúmeros, que são fortíssimos. Como descobrir se valerá a pena arriscar-me de novo? Agora não estou só. Tudo que acontece comigo atinge o meu filho direta ou indiretamente. Não quero que ele corra riscos devido às minhas escolhas. Não admitirei ou suportarei ser causadora de sofrimento para ele.

Tenho pensado, tenho rezado, tenho chorado e, por enquanto, não consegui agir. Simplesmente porque não sei como agir. 

Será que chegou a nossa hora? Será que agora é a minha vez? Pergunto-me diariamente.

Não terminarei dizendo que a minha única certeza é de que o amo haja vista o fato de eu não estar segura de que esse amor ainda é capaz de tudo suportar, superar, esperar, perdoar, alcançar...

Concluirei dizendo que continuo querendo o seu bem e o seu sucesso ainda que não sejam ao meu lado.
 

"... agora que eu penso em ir embora você me sorri..."
 
 
 
 

quarta-feira, 26 de março de 2014

4º ANIVERSÁRIO!

É tanta coisa boa dentro de mim que não sei o quê selecionar e nem como expor. Porque quando o assunto é João Pedro não aceito um mínimo ou um máximo de linhas para escrever ou palavras a dizer. Porque pensar no meu filho é pensar no que há de mais belo que os olhos podem ver, os ouvidos escutar e o coração sentir. 

Há pouco mais de 4 anos eu chorava de aflição e preocupação por uma gravidez inesperada. Encontrava-me solteira e ciente de que dificilmente teria o apoio (no que se refere ao sentido amplo do vocábulo) do pai. E como encarar meus pais? Minha família? Meus amigos? Meus vizinhos?  

No entanto, Jesus Cristo se manteve ao meu lado de modo ininterrupto, certamente por intermédio de Nossa Senhora das Graças. E a novidade foi divulgada. E as preocupações aumentadas. E as demonstrações de carinho ficaram impossíveis de ser enumeradas. Foram muitas declarações de amor, de afeto, de respeito.  

Os momentos difíceis não foram poucos. Houve até dor. Entretanto, tudo passou, passou de verdade. Quando meu filho chutou pela 1ª vez eu ainda não sabia o sexo, mas obtive força, companhia e respostas. Foi o suficiente. 

Esses mais de 4 anos com a presença constante do meu príncipe me proporcionaram experimentar um amor desconhecido, amor que surpreendentemente cresce a cada dia. Tudo o que ele faz me emociona, me toca, me comove e às vezes me preocupa. Tudo nele é lindo. 

Eu e meu filho somos privilegiados por sabermos o que é realmente um amor entre mãe e filho. Eu nunca terei chance de dizer que em algum momento não me senti amada pelo João Pedro. Ele, por sua vez, sem falsa modéstia, jamais terá oportunidade para duvidar do meu amor. Somos companheiros, amigos, cúmplices. O que há entre nós é divino, é dom de Deus! 

Vale a pena não ter mais nenhuma noite tranquila devido à certeza de um sorriso iluminador ao acordar. Vale a pena fazer tudo por e para ele primeiro por causa do forte abraço que ganho sem razão aparente. Vale a pena cada saída perdida porque posso dizer-lhe “Deus te abençoe, filho!” quando ele beija a minha mão me pedindo a bênção. Vale a pena ser mãe do João Pedro porque caminho por territórios dentro de mim anteriormente desconhecidos. 

São 4 anos de muita felicidade, muito sorriso sincero, lutas, progressos, vitórias, um pouco de cansaço, emoção, emoção demais, carinho, harmonia e amor, amor sabido somente por quem faz por merecer de coração, de maneira gratuita, verdadeiramente natural. 

O tempo está passando e ainda não descobri uma forma de agradecer a Deus pelo maior, mais doce, mais bonito presente da minha vida: o meu filho, meu príncipe, meu tesouro! 

Então hoje, 26 de março de 2014, quero desejar ao meu Brigadeiro um maravilhoso aniversário! Que seja mais um ano de muitas conquistas, muita saúde, total segurança e mais amor, muito mais amor! Que Deus o proteja de todas as pessoas que escolhem o mal, de toda poluição humana! Que a Virgem Maria passe sempre na frente na estrada do meu filho, intercedendo por cada passo que ele der! 


Meu amor, meu melhor, a mãe está aqui chorando muito, para variar. Chorando de alegria, transbordando de amor, chorando de emoção por conta desse dia tão especial que é todinho seu!... 

O aniversário é seu, mas o presente eu ganho todos os dias, que é tê-lo ao meu lado para me abraçar, me encher de beijo e me dar colo. A mamãe ama quando você dá colo para ela.  

Muito obrigada, meu filho, por ter vindo colorir a minha vida e iluminar a minha trajetória! 

Seja mais feliz, mais livre, mais radiante a cada momento! 

Parabénsssssssssssss!!!!!!!!!!!! 

Beijos, cheiros, dengos, abraços... 

                                                                                                                                                                   Mamãe!

segunda-feira, 10 de março de 2014

SEM TÍTULO [5]

"Quem disse que estar no meio de muita gente é garantia de ter alguém? Cada vez me convenço de que são poucas as pessoas que na vida são capazes de nos deixar a vontade pra a gente ser o que a gente é, são poucas as pessoas que diminuem e que cessam a nossa solidão, por que a solidão só vai embora quando o coração consegue ser o que ele é, sem precisar mentir, sem precisar inventar, sem precisar usar máscaras." (Pe. Fábio de Melo)

DESDE AS 20H30

Desde as 20h30 estou deitada.

Desde as 20h30 o coração dói.

Desde as 20h30 estou com saudade dos meus amigos.

Desde as 20h30 um vazio se faz presente.

Desde as 20h30 estou relembrando o último fim de semana,

que foi tão ruim.

Desde as 20h30 estou pensando nas pessoas queridas que morreram.

Desde as 20h30 estou tentando descobrir como me reaproximar, resgatar.

Desde as 20h30 estou pensando no futuro.

(Como se possível fosse)

Desde as 20h30 meu estômago pede alimentos,

mesmo já tendo me alimentado.

(Na verdade o que precisa ser alimentado é o meu espírito)

Desde as 20h30 aguardo o remédio para a forte cefaleia funcionar.

Desde as 20h30 estou tentando decidir que livro ler.

Desde as 20h30 estou pensando nas contas que devo pagar.

Desde as 20h30 não sei o que fazer.

Desde as 20h30 não sinto vontade de falar.

Desde as 20h30 estou me sentindo presa.

(Só não sei a que ou a quem)

Desde as 20h30 quero estar noutro lugar.  

Mas não sei qual é.

Desde as 20h30 visito alguns lugares da minha memória.

Desde as 20h30 não consigo dormir.

Já são 23h27 e as palavras continuam perdidas dentro de mim.

E não consigo relaxar.

E as dores não me deixam em paz.

E meu filho dorme feito um anjo.

E muita coisa ainda me incomoda.

E o vazio continua. A angústia permanece.

 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

13 MINUTOS

Ontem foi um dia bastante corrido e estressante como tem sido os últimos. No caminho da faculdade para casa fiquei sufocada por prender um choro cuja razão nem sei ao certo, e que necessitava de liberdade. Ao chegar, corri para o banho, coloquei o som do tablet no máximo volume e comecei a tentar conversar com Deus. Estava tão confusa, tão chateada, tão debilitada física e mentalmente que tenho convicção de que não me fiz compreender.

O banho não foi tão longo quanto eu gostaria ou precisava, mas foi um deleite. Durante exatos 13 minutos fiquei sentada, com a água caindo precisamente sobre minha cabeça e chorando, chorando demais. Naqueles instantes lembrei-me da Xanda e chorei mais ainda de tanta vontade de ouvir o que ela sábia e carinhosamente me diria diante da minha tentativa de desabafo. Lembrei-me também das palavras carinhosas do meu primo-irmão Pablo e de como foi triste e dura a despedida no Cemitério Jardim da Saudade em Sulacap. Refleti sobre trancar a matrícula na universidade por um período e me dedicar quase que integralmente ao meu filho e ao meu trabalho. Pensei nas minhas amigas, nos problemas da minha comadre Marcele e nos bons momentos com meus amigos.

Impressionante e negativo como em poucos ou muitos minutos somos capazes de nos prender quase que completamente ao que está ruim, ao que causa dor e lágrimas de tristeza. Ah, que desperdício!

Tentei retomar o precário diálogo com Deus, mas estava com tanta vergonha por querer jogar a toalha e estar deprimida que desisti.

As músicas tocavam no tablet e algumas mais animadas me levaram de volta a momentos e situações felizes, divertidos, leves de poucos anos atrás.

A vida adulta às vezes é chata demais, com cores sem vida, provoca fortes dores de cabeça e de estômago. Preocupações, estresses, mais erros que acertos, mágoas, distâncias, obrigações, cobranças, impurezas, mazelas... Nossa, que cansaço! Felizes, tremendamente felizes são as crianças inseridas numa família minimamente atenciosa. Graças a Deus é o caso do meu filho. E confesso nos últimos tempos adoraria estar no lugar dele: cercado de amor, cuidados e diversão.

O encontro da água do chuveiro com minhas lágrimas foi intenso e, apesar de tudo que foi citado, me fez bem. É, chorar permite que as palavras sejam poupadas. Palavras estas muitas vezes mal ditas, carregadas de aspereza, sentimento de vingança, impiedosas, egoístas.

O banho acabou. João Pedro chegou da escola e seu sorriso e abraço de saudade dessa mãe emburrada pelos cantos e chorosa todas as noites foram suficientes para fazer-me esquecer das angústias que me acompanham.

Ah, meu filho... meu amado e lindo filho...

 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

JANEIRO E SUAS DESPEDIDAS

"Ano Novo, vida nova!”. Pensava que essa afirmação era positiva, que seria uma vida cheia de alegrias e novos sonhos, diferente do ano antecedente. E que as forças seriam renovadas e os sorrisos mais fáceis de dar.

Janeiro/2014 foi marcado por separações: fortes, dolorosas e, talvez, necessárias. E também assinalado por constantes reflexões, lembranças, saudades e alguns questionamentos.

Pablo foi ao encontro do Pai, o grande e único detentor de todas as repostas e explicações. Um primo muito querido, que deu o seu adeus logo, aos 35 anos. Pessoa iluminada, cujo coração não fazia parte da maioria. Homem amável, presente, família, o mais família que já conheci.
Uma dor inédita, para mim pelo menos. Tão intensa, tão profunda, causadora de desespero, falta de ar e perda do controle. Uma porrada impiedosa da realidade. Fato consumado.
A saudade é permanente, porém, a dor vai e volta. Saudade do sorriso maravilhoso, das brincadeiras, dos momentos de confraternização, do carinho.
A ausência da Xanda também bateu forte, especificamente no dia 27; e então era o dia do seu aniversário e eu não lembrava. Uma saudade que toma conta de tudo. Estar na universidade e pensar nela, lembrar seu sorriso e suas palavras de força tornou-se rotina. Como era gostoso almoçarmos juntas e darmos gargalhadas...
Não está no mesmo plano de carne e osso, entretanto é também uma separação física. Gigi mudar-se-á para São Paulo. E os 40 minutos que nos distanciavam transformar-se-ão em 7 horas. Esta ficha está emperrada, não quer cair de jeito algum.
Uma irmã que Deus me deu. Pessoa muito querida e importante. Pensar que nossos momentos de muito diálogo ao vivo, risadas e lágrimas perderão a frequência está doendo bastante. Ela e a mãe julgam ser necessária a viagem. Mas, e nós?
Estou exagerando? Há o direito de pensar que sim. Mas nós, amigas mesmo, há quase 10 anos, sabemos que não há exagerado quando o amor é sincero, quando a relação é intensa, quando a vontade de estar junto é permanente, quando se pode falar em amizade.
Não quero mais pensar nisso. Só sei que será bem difícil e que, provavelmente, a internet ajudará bastante.
Não sei o que significa um início de ano definido por dor e ausência. Não sei para quê tudo isso se deu. Não sei como será daqui para frente. A única certeza é de que o lado benigno desses fatos é que o amor sempre esteve/está/estará presente.

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

SEM NOVIDADE

Natal 2013 me possibilitou estar com você de novo; na mesma casa, no mesmo quarto e, no entanto, um nítido abismo separava nossos corpos, embora eu tenha observações que me levem a crer que nossos corações não estavam separados; pelo menos não ali.

Você está diferente, ainda que só externamente. Não me agrada muito mas também não é motivo de interferência no que eu sinto. As orelhas furadas, barrigudinho...  Mas o sorriso ainda existe e o olhar que me deixa sem graça permanece.
Estivemos tão perto... Acordei no meio da noite e fiquei olhando você dormir, ali, há menos de um metro de mim. E não podia tocá-lo, abraça-lo, beijá-lo e demonstrar todo o meu amor por você, toda a minha vontade de cuidar de você, de vê-lo bem. Doeu. Chorei.
Três dias no mesmo espaço físico e mal nos encostamos. Nossos olhos derramavam nosso desejo. Entretanto, o seu discurso não mudou, sua vida não se alterou, sua covardia está intacta, assim como o meu amor e as lembranças dos nossos deliciosos momentos.
Você falou para outra pessoa que me ama e que não estarmos juntos é culpa sua. Será que disse mesmo? E o que isso me causa de positivo, se eu estou aqui e você aí, com ela, desse jeito infeliz?
Passei dias chorando, arrependida por não tê-lo acordado e dado um longo e saboroso beijo, pois sei que você negaria porque era também a sua vontade. Talvez tenha sido melhor não ter agido. Não sei.
Veio o Ano Novo e eu pensei que passaríamos juntos novamente. Por razões desconhecidas (não 100% desconhecidas) não foi o que aconteceu. E foi melhor assim. Creio que eu não resistiria. Não sei o que poderia acontecer.
O fato é que um novo ano chegou, meu primo faleceu e a ideia de procura-lo para mais uma conversa me ronda. Agora com menos força, mas vez e outra penso em convidá-lo para bebermos chope de vinho e conversarmos.
De fato, eu o amo e tenho plena certeza de que assim será até o fim dos meus dias.
O foco continua o mesmo: cuidar de tudo que meu filho necessita, concluir a graduação da melhor forma possível diante de tantas dificuldades, iniciar um curso de língua estrangeira e tentar o mestrado, ou antes uma especialização em língua portuguesa. Entrementes, a nossa história permanecerá envolvida nisso tudo por fazer parte da minha vida. Lembro-me de você dizendo que torce por meu sucesso...
Fiquei atordoada com a nossa proximidade em dezembro/13. E toda aquela vontade de sacudi-lo e dizer-lhe para ficar comigo se fez presente com força. Porém, diminuiu. E vi que você está levando sua vida do jeito que dá. E às vezes sinto que realmente não há espaço para mim e meu filho.
Continuarei aqui, do mesmo jeito. Rezando por você e sua filha. Pedindo a Deus para não desistir de você. E para me fortalecer e abençoar também.
Como dizia meu primo tão amado: “É vida que segue.”.