Não quero ser apresentada a quem dita/diz o
que é certo ou errado, bonito ou feio, sinceridade ou hipocrisia, juízo ou
idiotice. Quero distância de quem acredita ter sempre razão e que desrespeita o
que há no outro, seus sentimentos e preferências.
Emocionar-se assistindo a um filme ou lendo
um livro é permitido, é sinal de inteligência e intelectualidade. Emocionar-se
vendo futebol é ignorância, maluquice, falta do que fazer, burrice. Ou seja, o
mundo do século XXI prega uma sensibilidade que seleciona racionalmente onde
pode aflorar, onde é adequado aparecer.
O querido Papa Francisco luta pela cultura do
encontro, da aproximação, do respeito mútuo a toda e a qualquer criatura,
independente de ocasião. No entanto, dane-se o que esse cara diz, defende,
acredita. O homem tem a necessidade de julgar outro homem, ignorando tudo.
Certa vez, conversando aqui em casa sobre os
portadores de necessidades especiais, minha sábia avó disse que "a
humanidade tem muitas deficiências". Nossa, como ela tem razão! A
humanidade é sim egoísta, má, fria, violenta. Lamentável!
Chorei sim! Chorei muito! Gosto muito de
futebol e estava torcendo para ver a seleção brasileira de futebol masculino
disputando a final da Copa do Mundo 2014. Infelizmente, não foi possível.
Infelizmente, todos erraram, comissão técnica e jogadores. Mas ainda bem que
são seres humanos e dizem que "errar é humano". Para a minha sorte
quem afirma isso não é o mesmo ser que dita os binarismos acima mencionados.
Foi bom assistir a um jogo bonito de se ver
que foi o da seleção alemã, pois após o quinto gol contra o Brasil optei por
observar e admirar mais atentamente o futebol alemão, o qual deu um show de
coletividade e técnica.
É uma pena ver tanta gente criticando
ofensivamente àqueles que vibram com o futebol. É uma pena ver tanta gente
aplaudindo e elogiando o técnico Felipão e seus jogadores nas vitórias
alcançadas ao longo da Copa e os xingando fortemente na dolorosa derrota de
hoje. Quem são essas pessoas? Não me interessa. Quero distância.
Os problemas do Brasil não deveriam ser
colocados sobre os ombros dos jogadores de futebol ou dos torcedores. A
educação está ruim, a saúde está ruim, o transporte está ruim, a segurança está
ruim, mas nada disso seria resolvido sem o campeonato mundial. Não haver Copa
do Mundo no Brasil nunca foi a solução. Muito dinheiro foi gasto e desviado
para a realização desse evento esportivo aqui sim e essa fortuna jamais seria
direcionada à educação, à saúde, ao transporte e à segurança.
O povo brasileiro nada. Não é o povo
brasileiro que gosta de futebol, que assistiu à semifinal, que chorou pela
derrota. O povo brasileiro é gente demais. Muitos brasileiros ainda não têm luz
elétrica em casa, como já mostrou o programa Globo Repórter. Cansada e revoltada
com a generalização, com a parte pelo todo. Dizem-se tão inteligentes e maduros,
no entanto não possuem discernimento e sobram-lhes indiferença e crueldade.
Estar na universidade, em contato com
diversos textos, envolvida em discussões críticas, a proximidade com
profissionais metidos e estudantes egoístas não me retiram a essência, os
gostos anteriores à entrada na academia, a hipersensibilidade, a emoção.
Continuo sendo negra gostando de cabelo liso, flamenguista e acreditando em
Deus e em Nossa Senhora.
É bom ter um blogue. É realmente melhor que
as redes sociais. Lá estão todos os rótulos. Aqui há tentativas de amor,
respeito, sentimentos sinceros e muitas sensações. Tentativas porque também
falho.
A Copa não me afastou da realidade do país e
nem das minhas angústias. A Copa a mim deixará saudades. A maior parte das
equipes me causou fortes sensações, nem sempre boas devido à violência em
campo. Bom demais ver futebol, futebol de gente grande, com sede de gol,
bonitos lances.
As "manifestações" já começaram em
Copacabana e a errada sou eu por ficar em casa com meu filho, perdendo tempo em
frente à tevê, sem machucar ninguém, sem quebrar nada nas ruas.
Que venha o próximo jogo no sábado, a luta
pela terceira colocação! E que sejamos vitoriosos!